Dinossauros estavam em declínio antes da extinção no fim do Cretáceo?

Um recém-publicado artigo na Royal Society Open Scienceestá causandofrenesi na comunidade científica. O estudo intitulado “Dinosaur diversification rates were not in decline prior to the K-Pg boundary” utilizou modelos computacionais de análises filogenéticas bayesianas (isto é, o método para construção de árvores filogenéticas) a fim de analisar as taxas de diversificação dos dinossauros antes da suposta extinção K-Pg (extinção essa causada por um meteoro), a qual teria exterminado cerca de 75% das espécies.[1] Os resultados indicaram que dinossauros estavam estáveis quando o meteoro os pegou de surpresa.

O curioso é que, em seu próprio artigo, os autores cautelosos disseram: “Os métodos filogenéticos atuais podem não fornecer o melhor teste para hipóteses de extinção de dinossauros.” Ok, se esse método usado por eles não é apropriado, então qual seria? Existe outro método que tem sido usado para os mesmos fins: a análise (contagem) de conjuntos fósseis de diversos grupos de dinossauros. “Mostramos que se você expandir o conjunto de dados para incluir árvores genealógicas mais recentes e um conjunto mais amplo de espécies, os resultados não apontam todos para essa conclusão”, afirmou em nota o autor principal do estudo, Joe Bonsor.[2]

Porém, esse outro método também apresenta suas dificuldades, como explicam os mesmos autores do estudo em uma entrevista à revista Galileu: “A análise é difícil, pois há lacunas no registro fóssil.”[2] Logo, qual seria o melhor método, uma vez que ambos apresentam limitações para se conhecer a verdade sobre esse assunto?

Nos últimos 20 anos, temos visto diversas pesquisas publicadas sobre esse tema. É possível perceber que, dependendo da metodologia empregada, chega-se a resultados diferentes. Basta manipular uma variável qualquer selecionada no estudo que os resultados se alteram também. Assim, tudo depende da interpretação que o cientista dará aos seus dados, e sabemos que cientistas diferentes carregam pressupostos diferentes. Por isso não podemos confiar logo de cara nos resultados frequentemente alardeados na grande mídia, porque seguramente no próximo ano será publicado um resultado discordante.

O que sabemos com certeza é que esse estudo de 2020 confirmou resultados anteriores publicados na New Scientist, em 2004,[3] e na Nature Communications, em 2019,[4] ambos sugerindo que os dinossauros estavam muito bem, obrigado! Embora a mídia tenha dado enfoque maior àqueles resultados equivocados que apontavam declínios dos bichos (que fique claro que isso vende e atrai mais a atenção do público).[5, 6] Independentemente disso, essa nova pesquisa que alega que os dinossauros estavam em seu auge, prosperando, nos chamou a atenção, pois vai ao encontro do que a Bíblia indica no livro de Gênesis, isto é, que estava tudo bem com a diversificação dos variados grupos taxonômicos de adoráveis dinos, quando veio o dilúvio e os sepultou, transformando-os posteriormente em fósseis.

(Everton Alves é divulgador de ciência)

Referências:

[1] Bonsor JA, Barrett PM., Raven TJ, Cooper N. Dinosaur diversification rates were not in decline prior to the K-Pg boundary. Royal Society Open Science 2020, 7: 201195.

[2] Dinossauros não estavam em declínio antes de serem extintos. Galileu (18/11/2020). Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2020/11/dinossauros-nao-estavam-em-declinio-antes-de-serem-extintos-conclui-analise.html

[3] Hecht J. Dinosaurs died out at height of success. New Scientist (13/10/2004). Disponível em: https://www.newscientist.com/article/mg18424691-700-dinosaurs-died-out-at-height-of-success/

[4] Chiarenza, A.A., Mannion, P.D., Lunt, D.J. et al. Ecological niche modelling does not support climatically-driven dinosaur diversity decline before the Cretaceous/Paleogene mass extinction. Nat Commun 2019; 10: 1091.

[5] Stephen L. Brusatte, Richard J. Butler, Albert Prieto-Márquez & Mark A. Norell. 2012. Dinosaur morphological diversity and the end-Cretaceous extinction. Nature Communications 2012; 3: 80.

[6] Sakamoto M, Benton MJ, Venditti C. Dinosaurs in decline tens of millions of years before their final extinction. Proc Natl Acad Sci U S A. 2016; 113(18):5036-40.

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