Querem matar Moisés

Críticos vêm e vão, mas “a Palavra de Deus… é permanente” (1Pe 1:22).

moses

Segundo matéria publicada no G1 Notícias, “a saga de Moisés, o profeta que teria arrancado seu povo da escravidão no Egito e fundado a nação de Israel, tem bases muito tênues na realidade, segundo as pesquisas arqueológicas mais recentes. É praticamente certo que, em sua maioria, os israelitas tenham se originado dentro da própria Palestina, e não fugido do Egito. O próprio Moisés tem chances de ser um personagem fictício, ou tão alterado pelas lendas que se acumularam ao redor de seu nome que hoje é quase impossível saber qual foi seu papel histórico original”. [Primeiro disseram que Moisés estava alucinado; agora querem matá-lo.]

O título da matéria é altamente especulativo e sensacionalista: “Moisés pode não ter existido, sugere pesquisa.” E na dúvida, claro, optam pela não existência, já que, como diz a Bíblia, quando Cristo voltar, um dos artigos em falta na Terra será justamente a fé.

O texto prossegue: “É verdade que as opiniões dos pesquisadores divergem sobre os detalhes específicos do Êxodo (o livro bíblico que relata a libertação dos israelitas do Egito) que podem ter tido uma origem em acontecimentos reais. Para quase todos, no entanto, a narrativa bíblica, mesmo quando reflete fatos históricos, exagera um bocado, apresentando um cenário grandioso para ressaltar seus objetivos teológicos e políticos.” [Na verdade, o que a corrente liberal e os céticos não conseguem engolir são os relatos de intervenção sobrenatural de Deus na história dos hebreus, como as pragas do Egito e a abertura do Mar Vermelho, por exemplo. Assim, saem-se com a “explicação” de que houve um fato histórico acrescido de mitos exagerados. Mas, se existe um Deus que criou o Universo e é todo-poderoso (e há grandes indícios de que Ele exista), os milagres relatados nas Escrituras são perfeitamente possíveis.]

Airton José da Silva, professor de Antigo Testamento do Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto (SP), resume a situação: “O Moisés da Bíblia é claramente ‘construído’. Pode até ter existido um Moisés lá no passado que inspirou o dos textos, mas nada sabemos dele com segurança. Nas minhas aulas de história de Israel, começo com geografia e passo para as origens de Israel em Canaã [antigo nome da Palestina], não trato mais de patriarcas e nem do Êxodo.” [Professor de uma arquidiocese… Com “amigos” como esses, quem precisa dos céticos?]

“Os pesquisadores dispõem há muitos anos do que parece ser a data-limite para o fim do Êxodo”, continua a matéria. “Trata-se de uma estela (uma espécie de coluna de pedra) erigida pelo faraó Merneptah pouco antes do ano 1200 a.C. A chamada estela de Merneptah registra uma série de supostas vitórias do soberano egípcio sobre territórios vizinhos, entre eles os de Canaã. E o povo de Moisés é mencionado laconicamente: ‘Israel está destruído, sua semente não existe mais.’ Não se diz quem liderava Israel nem que regiões eram abrangidas por seu território. Trata-se da mais antiga menção aos ancestrais dos judeus fora da Bíblia.”

Depois de admitir que há evidências arqueológicas a favor do relato bíblico relacionado com a história dos hebreus no Egito, o texto diz que o problema é que “não há nenhuma menção aos israelitas ou a José e sua família em documentos egípcios ou de outros reinos do Oriente Médio nessa época. Pior ainda, até hoje não foi encontrado nenhum sítio arqueológico no Sinai que pudesse ser associado aos 40 anos que os israelitas teriam passado no deserto depois de deixar o Egito”.

Mas isso é justamente o que se deveria esperar. Ou seria concebível imaginar um faraó registrando numa estela o “feito” de ter sido humilhado pelo Deus dos escravos hebreus e tê-los deixado escapar de seu reino? Como esperar registros do Êxodo em pedras por parte dos hebreus se durante os 40 anos eles foram andarilhos no deserto?

Mais um cético num centro universitário dito religioso: “Para Milton Schwantes, professor da Faculdade de Filosofia e Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo, outro problema com a ligação entre os israelitas e os hicsos é dar ao Êxodo uma dimensão muito mais grandiosa do que seria razoável esperar do evento. ‘É uma cena de pequeno porte – estamos falando de grupos minoritários, de 150 pessoas fugindo pelo deserto [a Bíblia sugere mais de um milhão de pessoas; mas ela está errada e o Milton, certo…]. Em vez do exército egípcio inteiro perseguindo essa meia dúzia de pobres e sendo engolido pelo mar, o que houve foram uns três cavalos afundando na lama’.”

“O próprio nome de Moisés é um nome egípcio que os israelitas não entenderam”, diz Schwantes. Parece ser a terminação “-mses” presente em nomes de faraós como Ramsés e quer dizer “nascido de” algum deus – no caso de Ramsés, “nascido do deus Rá”. No caso do líder dos israelitas, falta a parte do nome referente ao deus. [E não devia ser assim mesmo, visto que Moisés foi adotado pela filha do faraó e, portanto, recebeu um nome egípcio?]

A matéria do G1 diz também que o hebraico Yam Suph, normalmente traduzido como “Mar Vermelho”, parece ser “Mar de Caniços”, ou seja, uma área cheia dessas plantas típicas de regiões lacustres. Assim, nas versões originais da lenda [sic], afirmam estudiosos do texto bíblico [estudiosos liberais, que sempre – e somente eles – são ouvidos nesse tipo de reportagem], os “carros e cavaleiros” do Egito teriam ficado presos na lama de um grande pântano, enquanto os fugitivos conseguiam escapar. Conforme a tradição oral sobre o evento se expandia, os acontecimentos milagrosos envolvendo a abertura de um mar de verdade foram sendo adicionados à história.

“Israel Finkelstein [sempre ele, o judeu ateu que adora descontruir a Bíblia e é incensado pela mídia unilateral], arqueólogo da Universidade de Tel-Aviv, em Israel, conta que uma série de novos assentamentos associados às antigas cidades israelitas aparecem na Palestina por volta da mesma época em que a estela de Merneptah foi erigida. Acontece que a cultura material – o tipo de construções, utensílios de cerâmica etc. – desses ‘israelitas’ é idêntica à que já existia em Canaã antes de esses assentamentos surgirem. Tudo [tudo ou somente essa associação das cerâmicas?] indica, portanto, que eles seriam colonos nativos da região, e não vindos de fora. Para Finkelstein, isso significa que a história do Êxodo foi redigida bem mais tarde, por volta do século 7 a.C. O confronto com o Egito teria sido usado como forma de marcar a independência dos israelitas em relação aos vizinhos, que estavam tentando restabelecer seu domínio na Palestina. A figura de Moisés, talvez um herói quase mítico já nessa época, teria sido incorporada a essa versão da origem da nação.”

Nota: A despeito de uma ou outra tentativa de desacreditar aspectos do relato bíblico, a História tem calado muitos críticos da Bíblia. A redação do Pentateuco por Moisés é um bom exemplo. Até pouco tempo atrás, afirmava-se que a invenção do alfabeto tinha sido feita pelos séculos XII ou XI a.C., sendo este argumento apresentado para “provar” que Moisés não podia ter escrito o Pentateuco, visto que em seu tempo não haviam ainda inventado a arte de escrever. No entanto, escavações arqueológicas um Ur, na antiga Caldéia, têm comprovado que Abraão era cidadão de uma metrópole altamente civilizada. Nas escolas de Ur, os meninos aprendiam leitura, escrita, Aritmética e Geografia. Três alfabetos foram descobertos: junto do Sinai, em Biblos e em Ras Shamra, que são bem anteriores ao tempo de Moisés (1500 a.C.).

Estudiosos modernos que vão na contra-mão de liberais como Finkelstein, sustentam que Moisés escolheu a escrita fonética para escrever o Pentateuco. O arqueólogo W. F. Albright datou essa escrita de início do século XV a.C. (tempo de Moisés). Interessante é notar que essa escrita foi encontrada no lugar onde Moisés recebeu a incumbência de escrever seus livros (Êx 17:14). Veja o que disse Merryl Unger sobre a escrita do Antigo Testamento: “A coisa importante é que Deus tinha uma língua alfabética simples, pronta para registrar a divina revelação, em vez do difícil e incômodo cuneiforme de Babilônia e Assíria, ou o complexo hieróglifo do Egito.”

Deus sempre sabe mesmo o que faz! Pense bem: se o alfabeto tivesse sido realmente inventado pelos fenícios, cuja existência foi bem posterior à de Moisés, e se as escritas anteriores – hieroglífica e cuneiforme – foram apenas decifradas no século passado, como poderia Moisés ter escrito aqueles livros? Se o tivesse feito, só poderia fazê-lo em hieróglifos, língua na qual a própria Bíblia diz que Moisés era perito (At 7:22) e, nesse caso, o Antigo Testamento teria ficado desconhecido até o século passado, quando o francês Champollion decifrou os hieróglifos egípcios. Acontece que, no princípio do século 20, nos anos de 1904 e 1905, escavações na península do Sinai levaram à descoberta de uma escrita muito mais simples que a hieroglífica, e era alfabética! Com essa descoberta, a origem do alfabeto se transportava da época dos fenícios para a dos seus antecessores, séculos antes, os cananitas, que viveram no tempo de Moisés e antes dele.

Portanto, foram esses antepassados dos fenícios que simplificaram a escrita. E passaram a usar o alfabeto em lugar dos hieróglifos, isto é, sinais que representam sons ao invés de sinais que representam ideias. Moisés, vivendo 40 anos numa região (Midiã) onde essa escrita era conhecida, viu nela a escrita do futuro, e passou a usá-la por duas grandes razões: (1) a impressão grandiosa que teve de usar uma língua alfabética para seus escritos e que se compunha de apenas 22 sinais bastante simples comparados com os ideográficos que aprendera nas escolas do Egito; (2) Moisés compreendeu que estava escrevendo para o seu próprio povo, cuja origem era semita como a dos habitantes da terra onde estava vivendo, e que não eram versados em hieróglifos por causa de sua condição de escravos.

O apóstolo Paulo diz que “toda Escritura é inspirada por Deus” (1Tm 3:16). Ou cremos nisso ou não. Selecionar textos que consideramos inspirados e outros, não, é ir contra a própria Palavra de Deus.

Críticos vêm e vão, mas “a Palavra de Deus… é permanente” (1Pe 1:22).

A propósito, segundo os evangelhos (transfiguração) e a carta de Judas, Moisés está bem vivo, no Céu. Portanto, ainda que queiram “matá-lo”, isso é um esforço inútil. [MB]

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