O que há de errado com a evolução teísta?

A evolução teísta, como é geralmente definida, é a crença de que os processos naturais, sustentados pela providência ordinária de Deus, foram os meios pelos quais ele trouxe a vida e a humanidade. Frequentemente, envolve uma ancestralidade comum para todas as coisas vivas, macroevolução e alguma versão de poligênese.

William Dembski explica: “Para os criacionistas da Terra jovem e da Terra velha, os humanos que carregam a imagem divina foram criados do zero. Em outras palavras, Deus fez algo radicalmente novo quando nos criou – não emergimos de organismos pré-existentes. Segundo essa visão, hominídeos em pleno funcionamento, com corpos totalmente humanos, mas sem a imagem divina, nunca existiram. Para a maioria dos evolucionistas teístas, em contraste, os ancestrais primatas evoluíram ao longo de vários milhões de anos até hominídeos com corpos totalmente humanos” (God and Evolution, p. 91).

De acordo com alguns proponentes da evolução teísta, Gênesis 2:7 é uma referência à obra de Deus na história, pela qual ele transformou Adão em um ser espiritual à imagem de Deus, em vez do tipo inferior de ser que ele era antes. Essa abordagem ainda insiste na historicidade de Adão e Eva e sua queda real no Jardim. Mas, nessa visão, Adão pode não ter sido o primeiro humano:

“De acordo com o modelo preferido de [Denis] Alexander, os humanos anatomicamente modernos surgiram há cerca de 200 mil anos, com a linguagem tendo se desenvolvido há 50 mil anos. Então, por volta de 6.000-8.000 anos atrás, Deus escolheu alguns agricultores neolíticos e então Se revelou pela primeira vez, constituindo-os assim como Homo divinus, os primeiros humanos a conhecer Deus e a estar espiritualmente vivos” (Should Christians Embrace Evolution?, p. 47).

E o que há de errado com essa abordagem? Por que não podemos dizer que Adão foi uma pessoa real e a primeira pessoa a conhecer Deus, mas não o único humano no planeta? Não estamos ainda no reino da ortodoxia histórica, mesmo se Adão tivesse evoluído de outros seres e não tivesse sido o pai físico de todas as pessoas vivas? Estou levantando essas questões não para sugerir uma postagem unilateral no blog e algumas citações visando obliterar a evolução. Em vez disso, o ponto é examinar se a evolução total pode ser reconciliada com a fidelidade total à autoridade bíblica.

Listados abaixo estão oito problemas que Wayne Grudem encontra com a evolução teísta. Eu reconheço que ele pode não ser uma autoridade nesses assuntos, mas de maneira típica ele destila os pontos principais muito bem, e explica sucintamente a quais conclusões antibíblicas devemos chegar para que a evolução teísta seja verdadeira.

  1. Adão e Eva não foram os primeiros seres humanos, mas eram apenas dois agricultores neolíticos, entre cerca de dez milhões de outros seres humanos na Terra naquela época, e Deus escolheu revelar-Se a eles de uma forma pessoal.
  2. Esses outros seres humanos já haviam procurado adorar e servir a Deus ou aos deuses por suas próprias maneiras.
  3. Adão não foi especialmente formado por Deus do “pó da terra” (Gn 2:7), mas teve dois pais humanos.
  4. Eva não foi feita diretamente por Deus de uma “costela que o Senhor Deus tirou do homem” (Gn 2:22), mas ela também tinha dois pais humanos.
  5. Muitos seres humanos, tanto da época como de agora, não são descendentes de Adão e Eva.
  6. O pecado de Adão e Eva não foi o primeiro pecado.
  7. A morte física humana já ocorria por milhares de anos antes do pecado de Adão e Eva – era parte da forma como seres vivos sempre existiram.
  8. Deus não impôs nenhuma alteração no mundo natural quando amaldiçoou a Terra por causa do pecado de Adão (Should Christians Embrace Evolution?, p. 9).

Essas são outras questões que a evolução teísta levanta para o cristão que crê na Bíblia. Como podemos manter a dignidade e majestade especiais que a Bíblia concede aos seres humanos, quando somos apenas qualitativamente diferentes de outras formas de vida e continuamos com o restante do mundo animal? Como Deus pode imputar o pecado e a culpa a todos os humanos ao longo da linhagem do representante federal, quando alguns de nós não têm nenhuma conexão física com Adão? Da mesma forma, se nem todos descendemos literalmente de um casal, como podemos todos ter uma conexão ontológica com Cristo que assumiu a carne da raça de Adão?

Claro, se não precisasse encaixar na Bíblia, esses problemas não seriam problemas (conceitualmente). Mas a evolução teísta pretende reunir o consenso evolucionista com a doutrina fiel da criação. Esse é todo o apelo. E, no entanto, não vejo como os dois possam ser compatíveis, tenha Adão realmente existido ou não.

(Kevin Deyoung; Coalizão Pelo Evangelho; Tradução Paulo Reiss Junior)

Leia também: O avanço do evolucionismo-teísta no Brasil, Instituição evoteísta faz ataque silencioso ao criacionismo, As incoerências do evolucionismo teísta, Vaticano assume evoteísmo e deve reabilitar padre evolucionista

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