Floresta habitada por dinossauros na Antártica?

Quando consideramos o modelo criacionista, a contradição desaparece.

antartica

No dia 1º de abril de 2020, a renomada revista Nature publicou um artigo científico[1] que registra, de forma inédita, a ocorrência de uma floresta tropical temperada no lado ocidental da Antártica, há 90 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista], durante o período Cretáceo, época dos dinossauros. Os cientistas envolvidos nessa pesquisa, do Alfred Wegener Institute (AWI), da Alemanha, se utilizaram de uma nova técnica de perfuração do solo para extrair testemunhos (amostras de rocha ou solo) a uma profundidade aproximada de 30 metros abaixo do fundo do mar. No material analisado, encontraram vestígios de solos antigos, além de pólens e raízes fósseis.[2] Testemunhos como esses podem registrar muita informação sobre o clima passado, funcionando como “cápsulas do tempo” para parâmetros como temperatura média, pluviosidade e vegetação.[3]

De acordo com a pesquisa realizada, os cientistas concluíram o seguinte: (1) a temperatura média anual na Antártica há 90 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista] seria 13 °C, com um pico de 18,5 °C durante o verão (muito contrastante com o cenário atual no qual a temperatura dessa região varia de -60 °C a -10 °C); (2) a temperatura da superfície de lagos e rios da floresta poderia alcançar 20 °C; (3) a floresta que cobria a Antártica nessa época era densa e do tipo tropical temperada, com algumas áreas pantanosas, muito similar a florestas que hoje ocorrem na Nova Zelândia; (4) muito provavelmente não havia cobertura de gelo na Antártica; (5) a paleolatitude do oeste da Antártica (onde as amostras foram coletadas) era de 81,9°S, o que significa que o continente antártico não se encontrava em uma posição consideravelmente diferente da atual há 90 milhões de anos [idem] – hoje a costa ocidental da Antártica situa-se a uma latitude aproximada de 75°S.[1, 2, 3]

Exponho a seguir três pontos relevantes, do ponto de vista criacionista, concernentes às descobertas feitas na pesquisa em questão.

Em primeiro lugar, o que chama a atenção é a boa preservação das raízes fósseis encontradas. Elas estavam tão bem preservadas que foi possível identificar estruturas celulares.[3] Um dos pesquisadores chegou a afirmar maravilhado: “É como se nós tivéssemos perfurado um ambiente pantanoso moderno e você estivesse vendo o sistema de raiz vivo, pequenas partículas de plantas e pólen – mas tudo isso está preservado há 90 milhões de anos [idem]. É surpreendente.”[2]

O alto grau de preservação desses fósseis contrasta marcadamente com a ideia de que eles possuiriam 90 milhões de anos. Se considerarmos ainda que troncos de árvores muito bem preservados (a ponto de ser possível até mesmo extrair aminoácidos de proteínas das células deles) também foram descobertos em outra localidade da Antártica, fica ainda mais evidente que estamos diante de fósseis vegetais recentes.[4]

Outro ponto importante, segundo a cosmovisão criacionista, é que, de acordo com os cientistas envolvidos nessa pesquisa, dinossauros habitaram as florestas tropicais temperadas da Antártica.[2] Fósseis de diferentes espécies de dinossauros (inclusive do maior predador do começo do Jurássico, o Criolofossauro) e de répteis marinhos contemporâneos a eles já foram encontrados em diferentes localidades da Antártica.[5] Fósseis são o resultado de processos hídricos catastróficos nos quais animais ou vegetais são rapidamente sepultados por lama transportada por água. Portanto, a presença de fósseis (tanto de animais quanto de vegetais) em várias localidades do continente antártico aponta para uma grande inundação que devastou e soterrou (provavelmente depois de algum transporte) árvores, plantas e animais.

Por fim, algo que merece ser destacado trata-se de um evidente paradoxo que surge a partir das interpretações dos pesquisadores dos dados obtidos. Eles concluíram que na época em que a floresta tropical temperada cobria a superfície do continente antártico, há supostos 90 milhões de anos (durante o período Cretáceo), ele estaria em uma latitude próxima da atual, o que significa que já estaria sujeito naquela época, como ocorre hoje, a um período de mais de quatro meses de completa escuridão a cada ano durante o inverno. A questão paradoxal aqui é: Como seria possível uma floresta sobreviver a um período tão extenso de ausência da luz solar? Os cientistas buscaram solucionar esse problema adotando um modelo no qual a concentração de gás carbônico (CO2) na atmosfera naquela época seria cerca de três a quatro vezes superior à concentração atual. Como esse gás é responsável pelo efeito estufa, eles acreditam que sua maior concentração na atmosfera teria promovido um clima quente, mesmo durante os longos invernos escuros, possibilitando a sobrevivência da vegetação.[1, 3]

A contradição em questão surge em função dos pressupostos evolucionistas/uniformitaristas adotados pelos cientistas. Para a geologia convencional, tanto a separação dos continentes quanto a formação das rochas que compõem a coluna geológica demandam centenas de milhões de anos. Logo, para eles, faz sentido pensar que as rochas nas quais os fósseis de raízes foram encontrados possam ter 90 milhões de anos, e que mesmo após todo esse tempo a placa Antártica não tenha se movido consideravelmente. No entanto, ao admitirem tais ideias para interpretar os dados obtidos, que apontam para a presença de uma rica floresta na Antártica, o paradoxo mencionado aparece.

Embora tenham sugerido uma forma de resolver o dilema, a hipótese proposta não parece resolver todos os pormenores da questão. Por exemplo, em um estudo feito em 2011, pesquisadores analisaram microestruturas de ossos de dinossauros também do período Cretáceo, encontrados na Austrália – a qual estaria (de acordo com as premissas evolucionistas) dentro do Círculo Antártico nessa época –, em busca de evidências de hibernação desses animais, haja vista os extensos invernos escuros que eles teriam que suportar, e concluíram que eles não hibernavam – notaram que os ossos dos dinossauros que habitavam próximo à região polar sul não eram diferentes dos ossos de dinossauros de outras latitudes.[5, 6]

Quando consideramos o modelo criacionista, a contradição mencionada desaparece. Segundo esse modelo, a Antártica faria parte, há alguns milhares de anos, de um supercontinente formado por todos os continentes hoje existentes. Naquela época, o continente antártico se situaria em uma latitude bem menor, o que lhe permitiria abrigar uma rica floresta e uma fauna diversa. O dilúvio, que foi a maior catástrofe hídrica do planeta, e também o momento em que as placas tectônicas foram formadas e começaram a se mover rapidamente, explica tanto a vasta ocorrência de fósseis nessa região quanto a posição atual da Antártica.

(David Ramos Pereira é geólogo pela Universidade Federal do Pará e mestre em Geologia e Geoquímica pela mesma universidade)

Referências:

[1] Klages, J. P., Salzmann, U., Bickert, T., Hillenbrand, C. D., Gohl, K., Kuhn, G., … & Bauersachs, T. (2020). Temperate rainforests near the South Pole during peak Cretaceous warmth. Nature580(7801), 81-86.

[2] Dinosaurs walked through Antarctic rainforests. https://www.bbc.com/news/science-environment-52125369; acessado em 04/04/2020.

[3] Evidence of ancient rainforests found in Antarctica. https://edition.cnn.com/2020/04/01/world/antarctica-ancient-rainforest-scn/index.html; acessado em 04/04/2020.

[4] Stumped by Forests in Antarctica. https://answersingenesis.org/the-flood/stumped-forests-antarctica/; acessado em 04/04/2020.

[5] Antarctic Dinosaurs. https://www.britannica.com/topic/Antarctic-Dinosaurs-1812725; acessado em 05/04/2020.

[6] Dinosaurs did not hibernate. https://www.sciencealert.com/shedding-light-on-australias-dinosaurs-of-darkness; acessado em 05/04/2020.

Inteligência artificial traz constrangimentos à teoria da evolução

Na verdade, vários outros aspectos do modelo precisariam de uma revisão.

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Os cientistas há muito acreditam que as extinções em massa de formas de vida na Terra criam períodos muito produtivos de evolução das espécies, ou “radiações”, um modelo conhecido como “destruição criativa”. No entanto, uma nova análise com uma amplitude nunca feita mostrou resultados bem diferentes. Cientistas do Instituto de Tecnologia de Tóquio usaram o aprendizado de máquina para examinar a co-ocorrência de espécies fósseis e descobriram que radiações e extinções raramente estiveram conectadas na história da vida na Terra. Em outras palavras, as extinções em massa geralmente não causam radiações em massa, o que é um grande problema para o neodarwinismo.

A destruição criativa é central para os conceitos clássicos de evolução. Parece claro pelo registro fóssil que há períodos em que muitas espécies desaparecem repentinamente, e muitas espécies novas aparecem de repente. O “de repente” sempre foi uma pedra no sapato dos teóricos, uma vez que o mecanismo de surgimento de novas espécies está longe de ser claro – sem teorias razoáveis para esse mecanismo até agora, os biólogos tipicamente deixam o problema em compasso de espera afirmando que novas espécies surgem “ao longo de milhões de anos”, e não “de repente” [o que se trata de especulação filosófica, diga-se].

De fato, radiações (emergências de vida) de uma escala comparável às extinções em massa – que os autores deste novo estudo chamam de radiações em massa – têm sido muito menos estudadas do que os eventos de extinção, que estão claros no registro paleontológico [na verdade. o registro fóssil mostra um grande evento de extinção em massa que pode ser associado ao dilúvio bíblico, mas, infelizmente, essa catástrofe não é levada em conta pelos evolucionistas, por puro preconceito].

A equipe usou um programa de aprendizado de máquina para examinar a co-ocorrência temporal de espécies no registro fóssil fanerozóico, examinando mais de um milhão de entradas em um enorme banco de dados público que inclui quase duzentas mil espécies. Os resultados sugerem que a destruição criativa não é uma boa descrição de como as espécies se originaram ou foram extintas durante o Fanerozóico.

O método objetivo de inteligência artificial identificou nos dados os “cinco grandes” eventos de extinção em massa já descritos pelos paleontólogos, mas demonstrou que eles estão entre os 5% principais eventos de perturbações significativas em que a extinção ultrapassou a radiação ou vice-versa.

Na verdade, muitos dos momentos mais notáveis da radiação evolutiva ocorreram quando a vida entrou em novas arenas evolucionárias e ecológicas, como durante a explosão cambriana [veja o vídeo abaixo] da diversidade animal e da expansão carbonífera dos biomas florestais. [Fico pensando se os computadores não fossem alimentados com a informação de que a vida na Terra evoluiu ao longo de supostos milhões de anos; que resultados se obteriam…]

O programa também identificou sete extinções em massa adicionais nunca descritas, dois eventos combinados de extinção em massa e radiação, e quinze radiações em massa – em outras palavras, a emergência de vida em massa superou as extinções em massa por um placar de 15 a 12. [Identificação baseada em dados fornecidos.]

Surpreendentemente, em contraste com as narrativas anteriores, que enfatizam a importância das radiações pós-extinção, o estudo demonstrou que as radiações em massa e as extinções mais comparáveis raramente estiveram acopladas no tempo, o que refuta a ideia de uma relação causal entre elas.

Esses são resultados marcantes para a teoria da evolução, trazendo desafios para biólogos e paleontólogos, que agora terão que se deparar com a época em que suas teorias precisam dar um salto evolutivo. [Na verdade, vários outros aspectos da teoria da evolução precisariam de uma revisão, especialmente depois do desenvolvimento de áreas de pesquisa como a biologia molecular e a bioquímica.]

(Inovação Tecnológica)

Local de execução de João Batista foi encontrado por arqueólogos

trono de Herodes Antipas
Arqueólogos acreditam que este nicho representa os restos do trono de Herodes Antipas. A partir daqui, a decisão de executar João Batista pode ter sido tomada. (Crédito da imagem: Győző Vörös)

Arqueólogos afirmam ter identificado a pista de dança mortal onde João Batista — um pregador itinerante que previu a vinda de Jesus — foi condenado à morte por volta de 29 d.C. A Bíblia e o antigo escritor [judeu] Flávio Josefo (37-100 d.C.) descrevem como o rei Herodes Antipas, filho do rei Herodes, havia executado João Batista. Flávio especificou que a execução ocorreu em Maquiaéreos, um forte perto do Mar Morto na atual Jordânia.

Herodes Antipas temia a crescente influência de João Batista entre a população e assim ele o executou, escreveu Josefo. A Bíblia, por outro lado, conta de modo muito mais elaborado, alegando que Herodes Antipas mandou executar João Batista em troca de uma dança.

A história bíblica afirma que Herodes Antipas estava prestes a se casar com uma mulher chamada Herodias, e ambos eram divorciados, algo a que João Batista se opôs. Em seu casamento, a filha de Herodias, chamada Salomé, fez uma dança que tanto encantou Herodes Antipas que o rei prometeu tudo o que ela quisesse como recompensa. Salomé, instigada por Herodias, pediu a cabeça de João Batista. Herodes Antipas estava relutante em conceder o pedido, de acordo com a Bíblia, mas ele finalmente decidiu cumpri-lo e a cabeça de João Batista foi trazida para Salomé em uma bandeja.

Um pátio descoberto em Maquiaéreos é provavelmente o lugar onde a dança de Salomé foi realizada e onde Herodes Antipas decidiu decapitar João Batista, escreveu Győző Vörös, diretor de um projeto chamado Escavações e Pesquisas de Maquiaéreos no Mar Morto, no livro Arqueologia da Terra Santa em ambos os lados: Ensaios arqueológicos em honra de Eugenio Alliata (em tradução livre; Fondazione Terra Santa, 2020). O pátio, disse Vörös, tem um nicho em forma de apsidal que provavelmente sejam os restos do trono onde Herodes Antipas se sentou.

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Uma reconstrução da cidadela superior de Maquiaéreos. (Crédito da imagem: Győző Vörös)

A equipe arqueológica vem reconstruindo o pátio e publicou várias imagens no livro mostrando como era na época da execução de João Batista. […]

(Live Science, via Hypescience)

Rinoceronte da Era do Gelo é recuperado com órgãos intactos na Rússia

Descobertas desse tipo estão se tornando mais frequentes à medida que o aquecimento global derrete o permafrost.

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Apesar de ter vivido há mais de 20 mil anos [segundo a cronologia evolucionista], alguns dos órgãos de um rinoceronte-lanudo ainda estão intactos, com um nível de preservação que impressionou cientistas. Estima-se que o animal, encontrado por um morador no leste da Sibéria, tenha vivido na Era do Gelo.

A carcaça veio à tona após o derretimento do permafrost – a camada de solo permanentemente congelada em áreas muito frias – na região de Iacútia, no nordeste da Rússia. Os especialistas vão entregar o rinoceronte a um laboratório na cidade de Yakutsk para saber mais sobre o achado. Lá, os cientistas colherão amostras e conduzirão análises de radiocarbono.

Estima-se que o rinoceronte tenha vivido durante o Pleistoceno, era geológica compreendida entre 20 a 50 mil anos atrás [segundo a cronologia evolucionista]. Valery Plotnikov, cientista que examinou os restos mortais, disse à mídia russa que o rinoceronte tinha entre três e quatro anos quando morreu, provavelmente por afogamento. Ela acrescentou que grande parte dos órgãos e tecidos moles do animal permaneceu intacta, incluindo os intestinos e a genitália. “Um pequeno chifre também foi preservado. Isso é uma raridade, porque essa estrutura se decompõe rapidamente”, disse Plotnikov à TV russa Yakutia 24 TV. A análise preliminar indica que há vestígios de desgaste no chifre, sugerindo que o rinoceronte “o estava usando para se alimentar”, disse.

O rinoceronte foi descoberto em agosto por um morador na margem do rio Tirekhtyakh. O achado aconteceu numa região onde outro rinoceronte-lanudo foi encontrado em 2014. À época, esse outro espécime ganhou o nome de Sasha. Acredita-se que ele tenha vivido há 34 mil anos [idem]. Nos últimos anos, foram feitas descobertas significativas de restos mortais de mamutes, rinocerontes-lanudos, cavalos e filhotes de leões-das-cavernas em partes da Sibéria. Em setembro do ano passado, os pesquisadores encontraram a carcaça bem preservada de um urso da Idade do Gelo nas ilhas Lyakhovsky, no nordeste da Rússia. Descobertas desse tipo estão se tornando mais frequentes à medida que o aquecimento global derrete o permafrost em vastas áreas dos extremos norte e leste da Rússia.

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(UOL Notícias)

Leia mais sobre Era do Gelo e Permafrost (clique aqui).

A soberba de Hawking e a humildade de Pascal

“É uma estranha inversão a sensibilidade do homem às pequenas coisas e a insensibilidade dele às grandes coisas.”

Blaise-Pascal

É frustrante (pra não dizer irritante) ver gênios da ciência e do pensamento querendo dar respostas para questões que são claramente “irrespondíveis” pela ciência. Do alto de sua brilhante carreira científica (que sempre admirei), o físico britânico Stephen Hawking parece ter se esquecido de outra virtude importante para os pensadores: a humildade. O grande Isaac Newton se referia aos “ombros de gigantes” sobre os quais se apoiou para poder ver mais longe e admitiu que somos como crianças diante de um mar de conhecimento. Mas e Hawking, o que fez diante de perguntas fundamentais que apontam para os limites no natural (portanto, para o sobrenatural)? Tentou engambelar seu público e a si mesmo com palavras vazias como estas, extraídas de seu livro O Grande Projeto (E esse título, hein? Foi pra provocar?): “Cada universo tem muitas histórias possíveis e muitos estados possíveis em instantes posteriores, isto é, em instantes como o presente, muito tempo após sua criação. A maioria desses estados será muito diferente do universo que observamos e será inadequado à existência de qualquer forma de vida. Só pouquíssimos deles permitiriam a existência de criaturas como nós. Assim, nossa presença seleciona desse vasto conjunto somente aqueles universos que sejam compatíveis com nossa existência. Ainda que sejamos desprezíveis e insignificantes na escala cósmica, isso faz de nós, em certo sentido, os senhores da criação.”

Pra começo de conversa, não existem evidências conclusivas da existência de outros universos, o que Hawking e seus seguidores assumem como certo. E se não podemos provar que esses universos paralelos existem, de que vale teorizar sobre eles? A frase “nossa presença seleciona desse vasto conjunto somente aqueles universos que sejam compatíveis com nossa existência” é, para mim, o verdadeiro conto de fadas; é falar ao vento. Note bem: Hawking considera a vida após a morte um conto de fadas, mas se refere a multiversos improváveis e os descreve como se fossem reais! Há muito mais evidências históricas da ressurreição de Jesus Cristo (que é a garantia da nossa própria ressurreição) do que desses tais universos. Mas Hawking insiste em negar essas evidências para acreditar em fábulas metafísicas…

“Ainda que sejamos desprezíveis e insignificantes na escala cósmica, isso faz de nós, em certo sentido, os senhores da criação”, diz Hawking. Acho que esse é o ponto. O ser humano, sem Deus, deseja sempre ocupar o trono da existência. Por mais que seja consciente de sua pequenez de habitante de um “pálido ponto azul” num universo incomensurável, quer ser “senhor da criação”. Aqui fazem falta os pensamentos de outro gigante intelectual que dizia entrar em pânico todas as vezes que via a cegueira e a miséria do “homem sem luz, abandonado a si mesmo, perdido neste canto do Universo, sem saber quem aqui o colocou, o que vai fazer e o que acontecerá quando morrer”. Blaise Pascal nasceu em 1628 e teve um encontro com o Criador em 1654, aos 31 anos de idade.

Você já leu Pensamentos, de Pascal? O livro é um verdadeiro alento nesta época de relativismo e “verdades” humanas sem substância. Quando pessoas como Hawking (cujo espirro virava notícia na mídia) me cansam com seu palavrório sem lastro, volto-me para a verdade absoluta da Palavra e para homens e mulheres que edificaram sobre esse firme fundamento. Pascal é um deles. Note por que:

“A encarnação de Jesus mostra ao homem a grandeza de sua miséria pela grandeza do remédio que ele precisa.”

“Hoje o homem se tornou semelhante aos animais, num tal afastamento de Deus que apenas lhe resta uma luz confusa de seu Criador.”

“É perigoso conhecer Deus sem conhecer a própria miséria e conhecer a própria miséria sem conhecer Deus.”

“A negligência dos que passam a vida sem pensar no fim derradeiro da existência irrita-me mais do que me comove e me espanta mais do que me aterroriza.”

“Não tendo conseguido curar a morte, a miséria e a ignorância, os homens procuram não pensar nisso tudo para serem felizes.”

“Entre nós e o inferno ou o céu, há apenas uma vida, assim mesmo extremamente frágil.”

“Todos os que procuram Deus fora de Jesus Cristo caem no ateísmo ou no deísmo, duas coisas que a religião cristã abomina quase de igual forma.”

“O conhecimento de Deus sem o da própria miséria produz orgulho. O conhecimento da própria miséria sem o de Deus produz desespero. O conhecimento de Jesus Cristo gera o meio-termo, pois nEle encontramos Deus e nossa miséria.”

“A religião cristã é sábia e louca. Sábia não só por ser a que mais sabe, mas também por ser a mais fundada em milagres, profecias, etc. Louca, porque não é isso tudo o que faz com que pertençamos a ela. O que nos faz crer é a cruz.”

“É preciso saber duvidar quando necessário, afirmar quando necessário e submeter-se quando necessário. Quem não faz assim não entende a força da razão.”

“Por serem bastante infelizes, devemos mostrar piedade para com os que não querem ou não conseguem crer.”

“Submissão e uso da razão – eis em que consiste o verdadeiro cristianismo. O último passo da razão é reconhecer que existe uma infinidade de coisas que a supera. Se a razão não reconhece isso, ela é fraca. Se as coisas naturais a superam, o que se dirá das sobrenaturais?”

“Se o homem não foi feito para Deus por que só é feliz em Deus? Se o homem é feito para Deus, por que é tão contrário a Deus?”

“Não tenho palavras para qualificar aquele que duvida e não corre atrás da certeza, aquele que, ao mesmo tempo, é sumamente infeliz e injusto, e ainda se sente tranquilo e satisfeito e se vangloria disso tudo.”

“É uma estranha inversão a sensibilidade do homem às pequenas coisas e a insensibilidade dele às grandes coisas.”

Orei muitas vezes para que Stephen Hawking tivesse um encontro com o Criador, como aconteceu com Pascal, Newton e tantos outros. Espero que as décadas de “prisão” naquela cadeira de rodas não tenham se transformado numa eternidade perdida. Que desperdício seria esse…

Michelson Borges

Leia também: “Não se pode explicar o universo sem Deus”

A Estrela de Belém será observada novamente?

“Uma estrela procederá de Jacó e um cetro subirá de Israel.”

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ASPECTO ASTRONÔMICO: “Se você olhar para o céu hoje, notará dois pontos brilhantes, de coloração amarelada, deslocados um pouco para o oeste. Pois bem, esses dois pontos brilhantes são os planetas Júpiter (o mais brilhante) e Saturno (o menos brilhante). Por serem planetas, eles não estão fixos. Ao contrário, movimentam-se ao redor do Sol, assim como a Terra. Com o passar das noites você perceberá que eles se deslocam gradativamente pelo céu. É justamente por conta desse deslocamento que, algumas vezes, em razão do nosso ângulo de vista aqui da Terra, eles acabam se alinhando ou aparentando estarem muito pertinho um do outro, chegando ao ponto de parecerem um único objeto bastante brilhante. É exatamente isso que vai ocorrer na noite de Natal! Júpiter e Saturno, observados aqui da Terra, estarão bem pertinho um do outro, fazendo-os parecer uma estrela muito brilhante, ao oeste. Esse fenômeno se chama “conjunção planetária”. É um evento astronômico relativamente comum e pode envolver diversos corpos celestes, como a própria Lua. Portanto, nada de estrela! São dois PLANETAS que estarão muito próximos um do outro, no céu. Apenas isso!” (Skynews Astronomia)

ASPECTO RELIGIOSO: Sobre a estrela de Natal, primeiramente é bom deixar claro que Jesus não nasceu em 25 de dezembro, mas, provavelmente, durante o período da Festa dos Tabernáculos (durante a primeira quinzena de outubro do ano 2 a.C.). A história relacionada com uma estrela em Seu nascimento vem de uma profecia de Balaão feita 1.500 anos antes: “Vê-lo-ei, mas não agora, contemplá-lo-ei, mas não de perto; uma estrela procederá de Jacó e um cetro subirá de Israel” (Números 24:17).

[Continue lendo.]

Querem matar Moisés

Críticos vêm e vão, mas “a Palavra de Deus… é permanente” (1Pe 1:22).

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Segundo matéria publicada no G1 Notícias, “a saga de Moisés, o profeta que teria arrancado seu povo da escravidão no Egito e fundado a nação de Israel, tem bases muito tênues na realidade, segundo as pesquisas arqueológicas mais recentes. É praticamente certo que, em sua maioria, os israelitas tenham se originado dentro da própria Palestina, e não fugido do Egito. O próprio Moisés tem chances de ser um personagem fictício, ou tão alterado pelas lendas que se acumularam ao redor de seu nome que hoje é quase impossível saber qual foi seu papel histórico original”. [Primeiro disseram que Moisés estava alucinado; agora querem matá-lo.]

O título da matéria é altamente especulativo e sensacionalista: “Moisés pode não ter existido, sugere pesquisa.” E na dúvida, claro, optam pela não existência, já que, como diz a Bíblia, quando Cristo voltar, um dos artigos em falta na Terra será justamente a fé.

O texto prossegue: “É verdade que as opiniões dos pesquisadores divergem sobre os detalhes específicos do Êxodo (o livro bíblico que relata a libertação dos israelitas do Egito) que podem ter tido uma origem em acontecimentos reais. Para quase todos, no entanto, a narrativa bíblica, mesmo quando reflete fatos históricos, exagera um bocado, apresentando um cenário grandioso para ressaltar seus objetivos teológicos e políticos.” [Na verdade, o que a corrente liberal e os céticos não conseguem engolir são os relatos de intervenção sobrenatural de Deus na história dos hebreus, como as pragas do Egito e a abertura do Mar Vermelho, por exemplo. Assim, saem-se com a “explicação” de que houve um fato histórico acrescido de mitos exagerados. Mas, se existe um Deus que criou o Universo e é todo-poderoso (e há grandes indícios de que Ele exista), os milagres relatados nas Escrituras são perfeitamente possíveis.]

Airton José da Silva, professor de Antigo Testamento do Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto (SP), resume a situação: “O Moisés da Bíblia é claramente ‘construído’. Pode até ter existido um Moisés lá no passado que inspirou o dos textos, mas nada sabemos dele com segurança. Nas minhas aulas de história de Israel, começo com geografia e passo para as origens de Israel em Canaã [antigo nome da Palestina], não trato mais de patriarcas e nem do Êxodo.” [Professor de uma arquidiocese… Com “amigos” como esses, quem precisa dos céticos?]

“Os pesquisadores dispõem há muitos anos do que parece ser a data-limite para o fim do Êxodo”, continua a matéria. “Trata-se de uma estela (uma espécie de coluna de pedra) erigida pelo faraó Merneptah pouco antes do ano 1200 a.C. A chamada estela de Merneptah registra uma série de supostas vitórias do soberano egípcio sobre territórios vizinhos, entre eles os de Canaã. E o povo de Moisés é mencionado laconicamente: ‘Israel está destruído, sua semente não existe mais.’ Não se diz quem liderava Israel nem que regiões eram abrangidas por seu território. Trata-se da mais antiga menção aos ancestrais dos judeus fora da Bíblia.”

Depois de admitir que há evidências arqueológicas a favor do relato bíblico relacionado com a história dos hebreus no Egito, o texto diz que o problema é que “não há nenhuma menção aos israelitas ou a José e sua família em documentos egípcios ou de outros reinos do Oriente Médio nessa época. Pior ainda, até hoje não foi encontrado nenhum sítio arqueológico no Sinai que pudesse ser associado aos 40 anos que os israelitas teriam passado no deserto depois de deixar o Egito”.

Mas isso é justamente o que se deveria esperar. Ou seria concebível imaginar um faraó registrando numa estela o “feito” de ter sido humilhado pelo Deus dos escravos hebreus e tê-los deixado escapar de seu reino? Como esperar registros do Êxodo em pedras por parte dos hebreus se durante os 40 anos eles foram andarilhos no deserto?

Mais um cético num centro universitário dito religioso: “Para Milton Schwantes, professor da Faculdade de Filosofia e Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo, outro problema com a ligação entre os israelitas e os hicsos é dar ao Êxodo uma dimensão muito mais grandiosa do que seria razoável esperar do evento. ‘É uma cena de pequeno porte – estamos falando de grupos minoritários, de 150 pessoas fugindo pelo deserto [a Bíblia sugere mais de um milhão de pessoas; mas ela está errada e o Milton, certo…]. Em vez do exército egípcio inteiro perseguindo essa meia dúzia de pobres e sendo engolido pelo mar, o que houve foram uns três cavalos afundando na lama’.”

“O próprio nome de Moisés é um nome egípcio que os israelitas não entenderam”, diz Schwantes. Parece ser a terminação “-mses” presente em nomes de faraós como Ramsés e quer dizer “nascido de” algum deus – no caso de Ramsés, “nascido do deus Rá”. No caso do líder dos israelitas, falta a parte do nome referente ao deus. [E não devia ser assim mesmo, visto que Moisés foi adotado pela filha do faraó e, portanto, recebeu um nome egípcio?]

A matéria do G1 diz também que o hebraico Yam Suph, normalmente traduzido como “Mar Vermelho”, parece ser “Mar de Caniços”, ou seja, uma área cheia dessas plantas típicas de regiões lacustres. Assim, nas versões originais da lenda [sic], afirmam estudiosos do texto bíblico [estudiosos liberais, que sempre – e somente eles – são ouvidos nesse tipo de reportagem], os “carros e cavaleiros” do Egito teriam ficado presos na lama de um grande pântano, enquanto os fugitivos conseguiam escapar. Conforme a tradição oral sobre o evento se expandia, os acontecimentos milagrosos envolvendo a abertura de um mar de verdade foram sendo adicionados à história.

“Israel Finkelstein [sempre ele, o judeu ateu que adora descontruir a Bíblia e é incensado pela mídia unilateral], arqueólogo da Universidade de Tel-Aviv, em Israel, conta que uma série de novos assentamentos associados às antigas cidades israelitas aparecem na Palestina por volta da mesma época em que a estela de Merneptah foi erigida. Acontece que a cultura material – o tipo de construções, utensílios de cerâmica etc. – desses ‘israelitas’ é idêntica à que já existia em Canaã antes de esses assentamentos surgirem. Tudo [tudo ou somente essa associação das cerâmicas?] indica, portanto, que eles seriam colonos nativos da região, e não vindos de fora. Para Finkelstein, isso significa que a história do Êxodo foi redigida bem mais tarde, por volta do século 7 a.C. O confronto com o Egito teria sido usado como forma de marcar a independência dos israelitas em relação aos vizinhos, que estavam tentando restabelecer seu domínio na Palestina. A figura de Moisés, talvez um herói quase mítico já nessa época, teria sido incorporada a essa versão da origem da nação.”

Nota: A despeito de uma ou outra tentativa de desacreditar aspectos do relato bíblico, a História tem calado muitos críticos da Bíblia. A redação do Pentateuco por Moisés é um bom exemplo. Até pouco tempo atrás, afirmava-se que a invenção do alfabeto tinha sido feita pelos séculos XII ou XI a.C., sendo este argumento apresentado para “provar” que Moisés não podia ter escrito o Pentateuco, visto que em seu tempo não haviam ainda inventado a arte de escrever. No entanto, escavações arqueológicas um Ur, na antiga Caldéia, têm comprovado que Abraão era cidadão de uma metrópole altamente civilizada. Nas escolas de Ur, os meninos aprendiam leitura, escrita, Aritmética e Geografia. Três alfabetos foram descobertos: junto do Sinai, em Biblos e em Ras Shamra, que são bem anteriores ao tempo de Moisés (1500 a.C.).

Estudiosos modernos que vão na contra-mão de liberais como Finkelstein, sustentam que Moisés escolheu a escrita fonética para escrever o Pentateuco. O arqueólogo W. F. Albright datou essa escrita de início do século XV a.C. (tempo de Moisés). Interessante é notar que essa escrita foi encontrada no lugar onde Moisés recebeu a incumbência de escrever seus livros (Êx 17:14). Veja o que disse Merryl Unger sobre a escrita do Antigo Testamento: “A coisa importante é que Deus tinha uma língua alfabética simples, pronta para registrar a divina revelação, em vez do difícil e incômodo cuneiforme de Babilônia e Assíria, ou o complexo hieróglifo do Egito.”

Deus sempre sabe mesmo o que faz! Pense bem: se o alfabeto tivesse sido realmente inventado pelos fenícios, cuja existência foi bem posterior à de Moisés, e se as escritas anteriores – hieroglífica e cuneiforme – foram apenas decifradas no século passado, como poderia Moisés ter escrito aqueles livros? Se o tivesse feito, só poderia fazê-lo em hieróglifos, língua na qual a própria Bíblia diz que Moisés era perito (At 7:22) e, nesse caso, o Antigo Testamento teria ficado desconhecido até o século passado, quando o francês Champollion decifrou os hieróglifos egípcios. Acontece que, no princípio do século 20, nos anos de 1904 e 1905, escavações na península do Sinai levaram à descoberta de uma escrita muito mais simples que a hieroglífica, e era alfabética! Com essa descoberta, a origem do alfabeto se transportava da época dos fenícios para a dos seus antecessores, séculos antes, os cananitas, que viveram no tempo de Moisés e antes dele.

Portanto, foram esses antepassados dos fenícios que simplificaram a escrita. E passaram a usar o alfabeto em lugar dos hieróglifos, isto é, sinais que representam sons ao invés de sinais que representam ideias. Moisés, vivendo 40 anos numa região (Midiã) onde essa escrita era conhecida, viu nela a escrita do futuro, e passou a usá-la por duas grandes razões: (1) a impressão grandiosa que teve de usar uma língua alfabética para seus escritos e que se compunha de apenas 22 sinais bastante simples comparados com os ideográficos que aprendera nas escolas do Egito; (2) Moisés compreendeu que estava escrevendo para o seu próprio povo, cuja origem era semita como a dos habitantes da terra onde estava vivendo, e que não eram versados em hieróglifos por causa de sua condição de escravos.

O apóstolo Paulo diz que “toda Escritura é inspirada por Deus” (1Tm 3:16). Ou cremos nisso ou não. Selecionar textos que consideramos inspirados e outros, não, é ir contra a própria Palavra de Deus.

Críticos vêm e vão, mas “a Palavra de Deus… é permanente” (1Pe 1:22).

A propósito, segundo os evangelhos (transfiguração) e a carta de Judas, Moisés está bem vivo, no Céu. Portanto, ainda que queiram “matá-lo”, isso é um esforço inútil. [MB]

Dinossauros estavam em declínio antes da extinção no fim do Cretáceo?

Um recém-publicado artigo na Royal Society Open Scienceestá causandofrenesi na comunidade científica. O estudo intitulado “Dinosaur diversification rates were not in decline prior to the K-Pg boundary” utilizou modelos computacionais de análises filogenéticas bayesianas (isto é, o método para construção de árvores filogenéticas) a fim de analisar as taxas de diversificação dos dinossauros antes da suposta extinção K-Pg (extinção essa causada por um meteoro), a qual teria exterminado cerca de 75% das espécies.[1] Os resultados indicaram que dinossauros estavam estáveis quando o meteoro os pegou de surpresa.

O curioso é que, em seu próprio artigo, os autores cautelosos disseram: “Os métodos filogenéticos atuais podem não fornecer o melhor teste para hipóteses de extinção de dinossauros.” Ok, se esse método usado por eles não é apropriado, então qual seria? Existe outro método que tem sido usado para os mesmos fins: a análise (contagem) de conjuntos fósseis de diversos grupos de dinossauros. “Mostramos que se você expandir o conjunto de dados para incluir árvores genealógicas mais recentes e um conjunto mais amplo de espécies, os resultados não apontam todos para essa conclusão”, afirmou em nota o autor principal do estudo, Joe Bonsor.[2]

Porém, esse outro método também apresenta suas dificuldades, como explicam os mesmos autores do estudo em uma entrevista à revista Galileu: “A análise é difícil, pois há lacunas no registro fóssil.”[2] Logo, qual seria o melhor método, uma vez que ambos apresentam limitações para se conhecer a verdade sobre esse assunto?

Nos últimos 20 anos, temos visto diversas pesquisas publicadas sobre esse tema. É possível perceber que, dependendo da metodologia empregada, chega-se a resultados diferentes. Basta manipular uma variável qualquer selecionada no estudo que os resultados se alteram também. Assim, tudo depende da interpretação que o cientista dará aos seus dados, e sabemos que cientistas diferentes carregam pressupostos diferentes. Por isso não podemos confiar logo de cara nos resultados frequentemente alardeados na grande mídia, porque seguramente no próximo ano será publicado um resultado discordante.

O que sabemos com certeza é que esse estudo de 2020 confirmou resultados anteriores publicados na New Scientist, em 2004,[3] e na Nature Communications, em 2019,[4] ambos sugerindo que os dinossauros estavam muito bem, obrigado! Embora a mídia tenha dado enfoque maior àqueles resultados equivocados que apontavam declínios dos bichos (que fique claro que isso vende e atrai mais a atenção do público).[5, 6] Independentemente disso, essa nova pesquisa que alega que os dinossauros estavam em seu auge, prosperando, nos chamou a atenção, pois vai ao encontro do que a Bíblia indica no livro de Gênesis, isto é, que estava tudo bem com a diversificação dos variados grupos taxonômicos de adoráveis dinos, quando veio o dilúvio e os sepultou, transformando-os posteriormente em fósseis.

(Everton Alves é divulgador de ciência)

Referências:

[1] Bonsor JA, Barrett PM., Raven TJ, Cooper N. Dinosaur diversification rates were not in decline prior to the K-Pg boundary. Royal Society Open Science 2020, 7: 201195.

[2] Dinossauros não estavam em declínio antes de serem extintos. Galileu (18/11/2020). Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2020/11/dinossauros-nao-estavam-em-declinio-antes-de-serem-extintos-conclui-analise.html

[3] Hecht J. Dinosaurs died out at height of success. New Scientist (13/10/2004). Disponível em: https://www.newscientist.com/article/mg18424691-700-dinosaurs-died-out-at-height-of-success/

[4] Chiarenza, A.A., Mannion, P.D., Lunt, D.J. et al. Ecological niche modelling does not support climatically-driven dinosaur diversity decline before the Cretaceous/Paleogene mass extinction. Nat Commun 2019; 10: 1091.

[5] Stephen L. Brusatte, Richard J. Butler, Albert Prieto-Márquez & Mark A. Norell. 2012. Dinosaur morphological diversity and the end-Cretaceous extinction. Nature Communications 2012; 3: 80.

[6] Sakamoto M, Benton MJ, Venditti C. Dinosaurs in decline tens of millions of years before their final extinction. Proc Natl Acad Sci U S A. 2016; 113(18):5036-40.

“Árvore da Vida” de Darwin sofre ataque na base

Cada vez mais parece que a tal “árvore” de Darwin está mais para “gramado”.

ctenoforo

A “árvore da vida” de Darwin está sofrendo outro golpe. A raiz da vida multicelular deveria ser o mais simples, o mais primitivo animal. Agora, os cientistas estão considerando seriamente que a “mãe de todos os animais” foi um animal complexo com intestino, tecidos, sistema nervoso e um surpreendente display luminoso: uma água-viva, da família dos ctenóforos. PhysOrg preparou o anúncio como se fosse maximizar a surpresa: “E o primeiro animal sobre a Terra foi…” Se o suspense está matando você, considere o impacto sobre os cientistas que, com recursos para pesquisa da National Science Foundation, concluíram que foi uma água-viva. Casey Dunn exclamou: “Isso foi totalmente um choque. Tão chocante que pensamos inicialmente que algo tinha dado errado.”

As águas-vivas são mais complexas do que as esponjas, há muito tempo consideradas como os animais mais primitivos porque não dispõem de tecidos e órgãos. Colocar uma água-viva na base da árvore de Darwin leva o mistério da evolução dos tecidos complexos para um passado inobservável.

Dunn disse que as antigas águas-vivas provavelmente pareciam diferentes das atuais, mas um fóssil de água-viva encontrado ano passado nas rochas fossilíferas do período Cambriano na China parecia essencialmente moderno. Ele foi datado como do início do período Cambriano — supostamente com 540 milhões de anos.

Science Daily começou seu relato com um sumário do impacto: “Uma nova pesquisa mapeando a história evolucionária dos animais indica que o primeiro animal da Terra — uma criatura misteriosa cujas características somente podem ser inferidas de fósseis e de pesquisas com animais vivos — foi provavelmente mais significantemente mais complexo do que previamente crido.” Um título secundário foi “Sacudindo a árvore da vida”.

Ironia do destino: essa notícia foi capa da revista Nature de 10 de abril deste ano, com o título “Relações ampliadas”.

Na ilustração abaixo está a tal “árvore da vida” (interessante essa tentativa de paráfrase de outra árvore da vida registrada em Gênesis…), que constava, ilustrada de forma bem mais simples, do livro A Origem das Espécies. Cada vez mais parece que a tal “árvore” de Darwin está mais para “gramado”.