Dinossauros estavam em declínio antes da extinção no fim do Cretáceo?

Um recém-publicado artigo na Royal Society Open Scienceestá causandofrenesi na comunidade científica. O estudo intitulado “Dinosaur diversification rates were not in decline prior to the K-Pg boundary” utilizou modelos computacionais de análises filogenéticas bayesianas (isto é, o método para construção de árvores filogenéticas) a fim de analisar as taxas de diversificação dos dinossauros antes da suposta extinção K-Pg (extinção essa causada por um meteoro), a qual teria exterminado cerca de 75% das espécies.[1] Os resultados indicaram que dinossauros estavam estáveis quando o meteoro os pegou de surpresa.

O curioso é que, em seu próprio artigo, os autores cautelosos disseram: “Os métodos filogenéticos atuais podem não fornecer o melhor teste para hipóteses de extinção de dinossauros.” Ok, se esse método usado por eles não é apropriado, então qual seria? Existe outro método que tem sido usado para os mesmos fins: a análise (contagem) de conjuntos fósseis de diversos grupos de dinossauros. “Mostramos que se você expandir o conjunto de dados para incluir árvores genealógicas mais recentes e um conjunto mais amplo de espécies, os resultados não apontam todos para essa conclusão”, afirmou em nota o autor principal do estudo, Joe Bonsor.[2]

Porém, esse outro método também apresenta suas dificuldades, como explicam os mesmos autores do estudo em uma entrevista à revista Galileu: “A análise é difícil, pois há lacunas no registro fóssil.”[2] Logo, qual seria o melhor método, uma vez que ambos apresentam limitações para se conhecer a verdade sobre esse assunto?

Nos últimos 20 anos, temos visto diversas pesquisas publicadas sobre esse tema. É possível perceber que, dependendo da metodologia empregada, chega-se a resultados diferentes. Basta manipular uma variável qualquer selecionada no estudo que os resultados se alteram também. Assim, tudo depende da interpretação que o cientista dará aos seus dados, e sabemos que cientistas diferentes carregam pressupostos diferentes. Por isso não podemos confiar logo de cara nos resultados frequentemente alardeados na grande mídia, porque seguramente no próximo ano será publicado um resultado discordante.

O que sabemos com certeza é que esse estudo de 2020 confirmou resultados anteriores publicados na New Scientist, em 2004,[3] e na Nature Communications, em 2019,[4] ambos sugerindo que os dinossauros estavam muito bem, obrigado! Embora a mídia tenha dado enfoque maior àqueles resultados equivocados que apontavam declínios dos bichos (que fique claro que isso vende e atrai mais a atenção do público).[5, 6] Independentemente disso, essa nova pesquisa que alega que os dinossauros estavam em seu auge, prosperando, nos chamou a atenção, pois vai ao encontro do que a Bíblia indica no livro de Gênesis, isto é, que estava tudo bem com a diversificação dos variados grupos taxonômicos de adoráveis dinos, quando veio o dilúvio e os sepultou, transformando-os posteriormente em fósseis.

(Everton Alves é divulgador de ciência)

Referências:

[1] Bonsor JA, Barrett PM., Raven TJ, Cooper N. Dinosaur diversification rates were not in decline prior to the K-Pg boundary. Royal Society Open Science 2020, 7: 201195.

[2] Dinossauros não estavam em declínio antes de serem extintos. Galileu (18/11/2020). Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2020/11/dinossauros-nao-estavam-em-declinio-antes-de-serem-extintos-conclui-analise.html

[3] Hecht J. Dinosaurs died out at height of success. New Scientist (13/10/2004). Disponível em: https://www.newscientist.com/article/mg18424691-700-dinosaurs-died-out-at-height-of-success/

[4] Chiarenza, A.A., Mannion, P.D., Lunt, D.J. et al. Ecological niche modelling does not support climatically-driven dinosaur diversity decline before the Cretaceous/Paleogene mass extinction. Nat Commun 2019; 10: 1091.

[5] Stephen L. Brusatte, Richard J. Butler, Albert Prieto-Márquez & Mark A. Norell. 2012. Dinosaur morphological diversity and the end-Cretaceous extinction. Nature Communications 2012; 3: 80.

[6] Sakamoto M, Benton MJ, Venditti C. Dinosaurs in decline tens of millions of years before their final extinction. Proc Natl Acad Sci U S A. 2016; 113(18):5036-40.

“Árvore da Vida” de Darwin sofre ataque na base

Cada vez mais parece que a tal “árvore” de Darwin está mais para “gramado”.

ctenoforo

A “árvore da vida” de Darwin está sofrendo outro golpe. A raiz da vida multicelular deveria ser o mais simples, o mais primitivo animal. Agora, os cientistas estão considerando seriamente que a “mãe de todos os animais” foi um animal complexo com intestino, tecidos, sistema nervoso e um surpreendente display luminoso: uma água-viva, da família dos ctenóforos. PhysOrg preparou o anúncio como se fosse maximizar a surpresa: “E o primeiro animal sobre a Terra foi…” Se o suspense está matando você, considere o impacto sobre os cientistas que, com recursos para pesquisa da National Science Foundation, concluíram que foi uma água-viva. Casey Dunn exclamou: “Isso foi totalmente um choque. Tão chocante que pensamos inicialmente que algo tinha dado errado.”

As águas-vivas são mais complexas do que as esponjas, há muito tempo consideradas como os animais mais primitivos porque não dispõem de tecidos e órgãos. Colocar uma água-viva na base da árvore de Darwin leva o mistério da evolução dos tecidos complexos para um passado inobservável.

Dunn disse que as antigas águas-vivas provavelmente pareciam diferentes das atuais, mas um fóssil de água-viva encontrado ano passado nas rochas fossilíferas do período Cambriano na China parecia essencialmente moderno. Ele foi datado como do início do período Cambriano — supostamente com 540 milhões de anos.

Science Daily começou seu relato com um sumário do impacto: “Uma nova pesquisa mapeando a história evolucionária dos animais indica que o primeiro animal da Terra — uma criatura misteriosa cujas características somente podem ser inferidas de fósseis e de pesquisas com animais vivos — foi provavelmente mais significantemente mais complexo do que previamente crido.” Um título secundário foi “Sacudindo a árvore da vida”.

Ironia do destino: essa notícia foi capa da revista Nature de 10 de abril deste ano, com o título “Relações ampliadas”.

Na ilustração abaixo está a tal “árvore da vida” (interessante essa tentativa de paráfrase de outra árvore da vida registrada em Gênesis…), que constava, ilustrada de forma bem mais simples, do livro A Origem das Espécies. Cada vez mais parece que a tal “árvore” de Darwin está mais para “gramado”.

Gênesis 1 e 2: Versões contraditórias?

adao

portal G1 publicou em 2008 matéria afirmando que “os dois primeiros capítulos do livro sagrado de cristãos e judeus retratam não uma criação do mundo, mas duas. O ser humano surge de duas maneiras diferentes, uma logo depois da outra, e até o deus [sic] responsável pela criação não tem o mesmo nome nos dois relatos”. Será que há mesmo contradição nos relatos? De forma sucinta (pois uma análise dessa natureza exigiria muitas páginas), o pastor e professor Douglas Reis responde:

“Alguns setores da mídia tupiniquim fazem realmente de tudo para chamar a atenção, mormente, questionando a moral cristã, ou, o que é pior, levantando dúvidas a respeito da fonte da moral, a Bíblia Sagrada. É o caso da reportagem ‘Bíblia abriga duas versões contraditórias da criação do mundo’, que ressuscita a controversa hipótese documental.

“Para os proponentes dessa linha de pensamento, o Pentateuco não teria a autoria mosaica; ao contrário, seria uma coleção de documentos com épocas e linhas de pensamento divergentes, editados por alguém (supõe-se, geralmente, que Esdras seja o editor final) e atribuídos ao filho da filha de Faraó.

“Essa abordagem parte do pressuposto de algumas narrativas duplas encontradas em todo o Pentateuco (por ex.: Gn 1 e 2; Gn 16:4-16 e 21:8-20; Êx 20:3-17 e Dt 5:1-20, etc.). Para explicar tais duplicatas afirma-se haver diversas tradições, provenientes de grupos dentro de Israel (ou mesmo fora de Israel) que o editor não soube conciliar, optando por oferecer duas versões do mesmo episódio.

“Nem é preciso dizer que tal linha de pensamento, originária do século 19 (como reconheceu Suzana Chwarts, em uma declaração citada na reportagem), não seja novidade no ciclo acadêmico e evangélico, o que faz com que a notícia perca a sua razão de ser – afinal, para que explorar uma teoria tão debatida e já refutada, dando-lhe um fantasioso verniz de ‘uma verdade vinda à tona’?

“Numa reportagem se diz muita coisa não só pelo que se afirma, como também pelo que se omite. E é notória a omissão de Reinaldo José Lopes, autor da matéria, da opinião de estudiosos das áreas bíblicas que sejam da linha tradicional de pensamento. Por que apenas teólogos liberais são citados? Nem se chega a questionar o que eles dizem, que é elevado ao status de palavra final! Por que o jornalista omitiu as críticas a essa visão do texto bíblico? São perguntas que pairam pela mente de um leitor que conheça as questões tratadas na matéria…

“Christine Hayes, cuja opinião aparece no texto, afirma ser curioso ‘que elementos que lembram tanto a primeira quanto a segunda história da criação’ estejam presentes em outros textos da literatura antiga do Oriente Médio. ‘A imagem de deuses fazendo uma série de pequenos humanos com argila, como se fossem oleiros, também é muito comum’, prossegue ela. Obviamente, isso apenas contribui para pensarmos no valor daquilo que é narrado, uma vez que tantos povos e tão distantes entre si narrem uma criação de forma semelhante. Uma lenda se apoia em fatos históricos, acrescentando a eles um caráter místico e ampliado. Mas a existência da lenda não exclui a historicidade do evento que a originou. A narração de Os Lusíadas, por exemplo, não conspira contra a empreitada náutica do Vasco da Gama histórico, embora Camões tenha ‘enfeitado’ a narrativa com episódios inspirados na mitologia, seguindo as convenções literárias estabelecidas pelo modelo de épica herdado dos gregos.

“Semelhantemente, a criação do mundo pode ter ocorrido exatamente como descreve o Gênesis, sendo que, à medida que os povos foram se espalhando pela Terra, após o episódio da Torre de Babel (Gn 11:1-8), a história da Criação acabou se convertendo em lendas que, embora conservassem alguns fatos, incorporaram elementos mitológicos (os vários deuses, a deificação de elementos naturais, como o caos, os céus, as águas, etc., e a atribuição de personalidade egoísta a esses deuses em conflito que criaram o homem). Pela sua simplicidade narrativa, ordem sequencial e visão de propósito, a narrativa bíblica diverge de outros textos de mesma tradição literária, sendo ímpar.

“Além disso, para os cristão, é substancial que o próprio Jesus declare crer numa criação em seis dias (por exemplo, Mt 19:4, 5). Se acreditamos nEle, temos de reconhecer Sua palavra como autoridade final em toda questão.

“O teólogo Ribeiro, da PUC, afirma: ‘Eu sinceramente nem sei se os povos semitas antigos tinham essa noção da criação do Universo inteiro a partir do princípio. Para eles, a criação significava provavelmente a criação de sua própria cultura, de sua própria civilização. O que ficava fora dos muros da cidade ou dos campos cultivados perto dela era considerado o caos.’ É claro que essa afirmação é facilmente desbancada pelo texto hebraico (Gn 1 e demais capítulos em sequência). Além disso, a criação apresentada em Gênesis é um desdobramento do capítulo 1 e não uma narrativa rival. A ênfase recai na criação do ser humano e na unidade familiar; por isso, o nome utilizado para Deus é Iahweh, evocando um Deus pessoal, interessado em se relacionar com o homem que cria (enquanto Elohim designa o Criador, de forma mais geral). Não há oposição, mas ênfase.

“Se mudança de estilo literário implica em mudança de autor, então o que dizer do caso de Fernando Pessoa ou de Umberto Eco, ambos autores contemporâneo que recorrem a mudanças de estilo seguindo propósitos definidos? É muita má vontade acreditar numa contradição bíblica dessa natureza – afinal, se o caso fosse esse, um editor ou conciliaria as narrativas ou apresentaria aquela que lhe parecesse a mais confiável… No demais, os estudiosos partidários da teoria documental não chegam a um consenso sobre que partes do Pentateuco foram escritas por quem, dando um caráter arbitrário às suas listas de autores e trechos que teriam escrito (cada autor tem virtualmente a sua).

“Em suma, não há razões plausíveis para descrer do texto ou imaginar contradições; apenas, por questão de opinião, alguns preferem, contrariando as evidências, seguir essa linha.”

Sodoma e Gomorra destruídas por asteroide?

Especulações nunca faltam, mas que dizem os fatos?

planisferio

Cientistas britânicos conseguiram decifrar as inscrições cuneiformes de um bloco de argila datado de 700 a.C. e descobriram que se trata do testemunho feito por um astrônomo sumério sobre a passagem de um asteroide – que pode ter causado a destruição das cidades de Sodoma a e Gomorra. Conhecido como “Planisfério”, o bloco foi descoberto por Henry Layard em meados do século 19 e permanecia como um mistério para os acadêmicos. O objeto traz a reprodução de anotações feitas pelo astrônomo há milhares de anos.

Utilizando técnicas computadorizadas que simulam a trajetória de objetos celestes e reconstroem o céu observado há milhares de anos, os pesquisadores Alan Bond, da empresa Reaction Engines, e Mark Hempsell, da Universidade de Bristol, descobriram que os eventos descritos pelo astrônomo são da noite do dia 29 de junho de 3123 a.C. (calendário juliano).

Segundo os pesquisadores, metade do bloco traz informações sobre a posição dos planetas e das nuvens, e a outra metade é uma observação sobre a trajetória do asteroide de mais de um quilômetro de diâmetro.

De acordo com Mark Hempsell, pelo tamanho e pela rota do objeto, é possível que este se tratasse de um asteroide que teria se chocado contra os Alpes austríacos, na região de Köfels, onde há indícios de um deslizamento de terra grande.

O asteroide não deixou cratera que pudesse evidenciar uma explosão. Isso se explica, segundo os especialistas, porque o asteróide teria voado próximo ao chão, deixando um rastro de destruição por conta de ondas supersônicas, e se chocado contra a Terra em um impacto cataclísmico.

Segundo os pesquisadores, o rastro do asteroide teria causado uma bola de fogo com temperaturas de até 400 ºC e teria devastado uma área de aproximadamente 1 milhão de quilômetros quadrados.

Hempsell afirma que a escala da devastação se assemelha à descrição da destruição de Sodoma e Gomorra, presente no Velho Testamento, e de outras catástrofes mencionadas em mitos antigos.

O pesquisador sugere ainda que a nuvem de fumaça causada pela explosão do asteroide teria atingido o Sinai, algumas regiões do Oriente Médio e o norte do Egito. Hempsell afirma que mais pessoas teriam morrido por conta da fumaça do que pelo impacto da explosão nos Alpes.

Segundo a Bíblia, Sodoma e Gomorra foram destruídas por Deus como resposta a atos imorais praticados nas cidades. Acredita-se que elas eram localizadas onde hoje fica o Mar Morto.

(BBC Brasil)

Nota: Certa vez, entrevistei o arqueólogo Dr. Paulo Bork (a entrevista foi publicada no meu livro Por Que Creio) e ele me disse o seguinte: “Escavamos aquela região [de Sodoma e Gomorra] por vários anos e descobrimos coisas muito interessantes, que respaldam o relato bíblico. Existiam cinco cidades na parte leste do Mar Morto. Quando as escavamos, encontramos grande quantidade de cinzas. Em alguns lugares havia uma camada de um metro de cinzas. Não há outra maneira de explicar tamanha destruição e tanta cinza em um só local, a não ser pelo trágico relato de Gênesis.

“Anos antes, em 1924, o famoso arqueólogo William F. Albright, juntamente com M. Kyle, já haviam feito investigações profundas na região do Mar Morto, concluindo que seria ali a localização das duas cidades destruídas por Deus. Só que na época lhes faltavam equipamentos sofisticados dos quais dispomos hoje. Em 1960, Ralph Barney explorou o fundo do Mar Morto com um sonar e encontrou várias árvores a certa profundidade. Isso demonstra que a água do Mar Morto submergiu uma vasta área fértil. Mas ele não encontrou vestígios de civilização ali. Se aquele era o vale que encantou o sobrinho de Abraão, onde estariam as cidades? No lado oeste do Mar Morto há restos de uma cidade que chama bastante a atenção. Esse sítio arqueológico foi batizado com o nome árabe de Bab eh dra. A cidade que ali existiu data de mais ou menos 2200 a.C., e ali também há grande quantidade de cinzas.

“Em outras palavras, Bab eh dra foi destruída pelo fogo. Nem seu cemitério escapou das chamas, pois parte das tumbas também contêm vestígios de fogo. Mas o que causou esse grande incêndio? É importante frisar que não há na região presença de atividades vulcânicas. Além disso, quando os exércitos inimigos destruíam as cidades com fogo, geralmente poupavam seus cemitérios. Logo, há uma razoável possibilidade de que essa região contenha de fato os restos do que um dia foi uma região visitada pelo juízo de Deus.”

“De modo semelhante a estes, Sodoma e Gomorra e as cidades em redor se entregaram à imoralidade e a relações sexuais antinaturais. Estando sob o castigo do fogo eterno, elas servem de exemplo.” Judas 7

Cérebro humano tem semelhanças intrigantes com teia cósmica de galáxias

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Um astrofísico e um neurocirurgião podem parecer uma dupla que tenha pouco a estudar em conjunto, mas Franco Vazza (Universidade de Bologna) e Alberto Feletti (Universidade de Verona) mostraram que é possível estabelecer paralelos entre campos do saber que aparentam ser totalmente desconexos. Os dois compararam a rede de neurônios do cérebro humano com a rede cósmica das galáxias – e encontraram similaridades surpreendentes. É fato que a diferença de dimensões é descomunal, mas a dupla não partiu do nada: eles começaram o estudo porque viram que existem alguns paralelos interessantes.

A teia cósmica estudada tem cerca de 100 bilhões de galáxias, enquanto o cérebro humano tem calculados 69 bilhões de neurônios. Nos dois sistemas, apenas 30% são constituídos pela massa das galáxias e dos neurônios. As galáxias e os neurônios se organizam em longos filamentos, com nós entre os filamentos. E, finalmente, nos dois sistemas, 70% da distribuição de massa ou energia é composta de componentes desempenhando um papel aparentemente passivo – a água, no caso do cérebro, e a energia escura, no caso do Universo observável.

Assim, não é tão surpreendente que a análise quantitativa feita pelos dois cientistas italianos revele que processos físicos muito diferentes podem dar origem a estruturas com níveis similares de complexidade e auto-organização. [Seria essa a assinatura do Grande Designer?]

Começando pelas características similares do cérebro e do Universo, os dois pesquisadores compararam uma simulação da rede de galáxias com uma simulação de seções do córtex cerebral e do cerebelo – o objetivo era observar como as flutuações da matéria se espalham pelas duas redes de tamanhos tão diferentes, mas com um número comparável de nós.

“Nós calculamos a densidade espectral dos dois sistemas. Essa é uma técnica muito usada em cosmologia para estudar a distribuição espacial das galáxias”, explicou Vazza. “Nossa análise mostrou que a distribuição da flutuação dentro da rede neuronal do cerebelo, em uma escala de 1 micrômetro a 0,1 milímetro, segue a mesma progressão da distribuição da matéria na teia cósmica, mas, é claro, em uma escala maior, que vai de 5 milhões a 500 milhões de anos-luz.”

Eles também calcularam alguns parâmetros que caracterizam tanto a rede neuronal quanto a teia cósmica: o número médio de conexões em cada nó e a tendência de agrupamento de várias conexões em nós centrais relevantes dentro da rede.

“Mais uma vez, parâmetros estruturais identificaram níveis de concordância inesperados. Provavelmente, a conectividade no interior das duas redes evolui segundo princípios físicos similares, apesar da diferença marcante e óbvia entre as potências físicas que regulam galáxias e neurônios”, acrescentou Feletti. “Essas duas redes complexas apresentam mais similaridades do que aquelas compartilhadas entre a teia cósmica e uma galáxia ou entre uma rede neuronal e o interior de um corpo neuronal.”

Os dois pesquisadores gostaram tanto dos resultados que já estão pensando em desenvolver técnicas de análise que possam ser usadas em ambos os campos – cosmologia e neurocirurgia – para obter uma melhor compreensão da dinâmica dos dois sistemas conforme eles evoluem ao longo do tempo.

(Inovação Tecnológica)

Arte rupestre descoberta na Amazônia mostra humanos com animais da Era do Gelo

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Milhares de registros de arte rupestre retratando enormes criaturas da Idade do Gelo – como mastodontes – foram revelados por pesquisadores na floresta amazônica. As pinturas foram provavelmente feitas por volta de 11.800 a 12.600 anos atrás [segundo a cronologia evolucionista], de acordo com um comunicado de imprensa de pesquisadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido. As pinturas estão dispostas em três cavernas rochosas diferentes, sendo a maior delas, a Cerro Azul, um lugar que abriga 12 painéis e milhares de pictogramas individuais.

Localizada na Serranía La Lindosa, na atual Colômbia, a arte rupestre mostra como os primeiros habitantes humanos da área teriam coexistido com a megafauna da Idade do Gelo, com registros que mostram o que parecem ser preguiças gigantes, mastodontes, camelídeos, cavalos e três ungulados com os dedos dos pés com troncos. “Essas imagens realmente são incríveis, produzidas pelas primeiras pessoas a viver no oeste da Amazônia”, disse Mark Robinson, arqueólogo da Universidade de Exeter. “As pinturas dão um vislumbre vívido e emocionante da vida dessas comunidades. É inacreditável para nós hoje pensar que elas viviam entre e caçavam herbívoros gigantes, alguns do tamanho de um carro pequeno.”

Outras fotos mostram figuras humanas, formas geométricas e cenas de caça, além de animais como veados, antas, crocodilos, morcegos, macacos, tartarugas, serpentes e porcos-espinhos. As pinturas vermelhas, feitas com pigmentos extraídos do ocre raspado, compõem um dos maiores acervos de arte rupestre da América do Sul.

Na época em que os desenhos foram feitos, a Amazônia estava mudando de uma colcha de retalhos de savanas, floresta tropical e matagal espinhoso para a floresta tropical de folhas largas que conhecemos hoje.

Os artistas teriam usado o fogo para esfoliar a rocha e fazer superfícies planas para pintar, dizem os especialistas. Embora as pinturas sejam expostas a impactos naturais, elas são protegidas por pedras salientes, o que significa que permanecem em melhores condições do que outras artes rupestres encontradas na Amazônia.

Alguns deles foram pintados tão alto na rocha que “escadas especiais feitas com recursos florestais teriam sido necessárias” para criá-los, de acordo com o comunicado à imprensa. […]

(CNN Brasil)

Fóssil mostra primeiro animal que teria feito sexo

Paleontóloga afirma que vida era complexa muito antes do que se pensava

minhoca

Uma espécie de minhoca de 30 cm de comprimento, que vivia no fundo do mar, pode ter sido o primeiro ser vivo a praticar sexo, há pelo menos 565 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista], de acordo com a descoberta da paleontóloga Mary Droser, da Universidade da Califórnia Riverside. A paleontóloga e sua equipe argumentam que o ecossistema da Terra já era complexo muito antes do que se pensava, ainda na Era Neoproterozóica, quando começaram a aparecer os primeiros organismos multicelulares.

Até hoje acreditava-se que os primeiros organismos multicelulares eram simples, e que as estratégias atuais usadas pelos animais para sobreviver, se reproduzir e crescer em números só teriam aparecido bem depois, por causa de uma série de fatores, que incluiriam pressões evolucionárias e ecológicas, impostas por predadores e pela competição por alimentos e outros recursos.

Mas a paleontóloga encontrou fósseis da Funisia dorothea no deserto do sul da Austrália, que demonstram que o organismo tubular tinha vários meios de crescer e se reproduzir – similares às estratégias usadas pela maioria dos organismos invertebrados para propagação atualmente.

Funisia dorothea crescia em abundância, cobrindo o solo do oceano, durante a Era Neoproterozóica, um período de 100 milhões de anos [sic] que se encerrou há cerca de 540 milhões de anos [sic], quando não havia predadores.

“O modo como a Funisia aparece nos fósseis mostra claramente que os ecossistemas eram complexos desde muito cedo na história dos animais na Terra – isso é, antes de os organismos desenvolverem esqueletos e antes do surgimento da predação ampla”, disse Mary Droser, que descobriu os organismos pela primeira vez em 2005.

“Geralmente, os indivíduos de um organismo crescem próximos uns aos outros, em parte, para garantir o sucesso reprodutivo”, afirmou a paleontóloga. “Na Funisia, nós estamos muito provavelmente vendo reprodução sexual num antigo ecossistema – possivelmente a primeira ocorrência de reprodução sexual entre animais em nosso planeta.”

Os fósseis mostram grupos de indivíduos da espécie com aproximadamente a mesma idade, o que sugere uma “ninhada”, o que, normalmente, seria fruto de reprodução sexual, afirma a cientista.

“Entre os organismos vivos, a produção de ninhadas quase sempre é fruto de uma reprodução sexuada, e muito raramente de reprodução assexuada”, disse Droser. Além das ninhadas, o organismo se reproduzia por “brotos”, gerando novos indivíduos a partir de pedaços, e cresciam adicionando pedaços às suas pontas.

Segundo a paleontóloga Rachel Wood, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, a descoberta mostra que estratégias de desenvolvimento fundamentais já haviam sido estabelecidas nas primeiras comunidades animais conhecidas, há cerca de 570 milhões de anos [sic].

“O fato de que a Funisia mostra o crescimento em grupos de indivíduos próximos uns aos outros no solo do mar nos permite inferir que esse organismo também se reproduzia sexualmente, produzindo ninhadas limitadas de larvas”, disse a paleontóloga, que não está envolvida no estudo.

“Este é o modo como muitos animais primitivos, como esponjas e corais, se reproduzem e crescem hoje em dia. Então, apesar de não conhecermos as afinidades de muitos desses animais mais antigos, nós sabemos que suas comunidades foram estruturadas de modos muito similares aos que existem ainda hoje.”

O estudo de Mary Droser foi publicado na revista Science.

(Terra)

Nota: Cada vez mais os pequisadores estão percebendo que a vida “surgiu” já extremamente complexa, o que, sob a ótica darwinista, é algo bem complicado de se explicar. Já é difícil explicar o “surgimento” da reprodução sexuada (uma vez que ela depende de uma série de processos interrelacionados em organismos diferenciados – macho e fêmea – cuja evolução precisaria ter se processado paralela e concatenadamente) em qualquer tipo de ser vivo; imagine explicar como esse tipo de reprodução teria surgido em organismos “primitivos” como a Funisia… (Os grifos no texto são meus.) [MB]

A teoria-explica-tudo

Seria até mesmo a fé um fruto da evolução?

Enquanto na física se busca a teoria do tudo (a unificação da física quântica com a relatividade), na biologia parece que essa teoria-explica-tudo já existe e se chama darwinismo. Para muitos, as idéias de Darwin (devidamente aprimoradas por seus seguidores em um século e meio) seriam capazes de, por exemplo, explicar (e até justificar) por que alguns homens são puladores de cerca contumazes, por que gostamos de doces e por que apreciamos boa música. A novidade agora é a “explicação” darwinista de um fato observável em quase todo ser humano: nossa predisposição para crer.

Esse foi um dos temas da revista Galileu anos atrás. Na prévia publicada no site G1 Notícias, há a afirmação de que um crescente número de cientistas está considerando a religião um produto da biologia humana, tal como a linguagem, a arte ou o uso de drogas.

Segundo a matéria, a “arqueologia sugere que só começamos a enterrar nossos mortos e ter uma ideia de seres ‘sagrados’ (animais, por exemplo) há poucas dezenas de milhares de anos. Por que, de repente, nossa espécie ‘acordou’ para o lado sobrenatural das coisas?” Não seria por que nossa espécie tem apenas “poucas dezenas de milhares de anos” e, portanto, todos os fenômenos que a acompanham datam também dessa época? Assim, o ser humano seria Homo religiosus desde sua criação, tendo sido criado com essa inclinação para o transcendente e não desenvolvido essa sensibilidade ao longo das eras.

Mas tudo bem. Suponhamos que a fé seja mesmo um fruto da evolução. Por que teria se desenvolvido? Segundo a reportagem de Galileu, na tentativa de explicar o fenômeno, os biólogos da religião se dividem em dois grupos: os defensores da “vantagem adaptativa” e os do “efeito colateral”. “Para os primeiros”, explica o texto, “o ato de crer em si é que foi vantajoso para os antigos humanos – tão vantajoso que os que ‘desenvolveram’ a fé deixaram mais descendentes e passaram o traço adiante. A principal vantagem de desenvolver o instinto religioso seria a coesão social que ele traz: se toda a tribo está unida na devoção ao seu deus, ela se torna mais trabalhadora e mais corajosa na guerra, entre outras coisas.”

Gene egoísta bem inteligente esse, não? Pelo jeito, sob esse ponto de vista, os exploradores da religião são bem mais antigos do que se pensa…

O outro grupo (do efeito colateral) aposta que “as vantagens para a sobrevivência vinham de características da nossa mente que não têm nenhum elo direto com a religião. No entanto, o resultado acidental dessas propriedades mentais foi estimular o surgimento da fé”. Então, a fé é um acidente de percurso?!

Tem mais. Segundo o texto, nossa “mania” de ver intencionalidade nas coisas – nas nuvens, na chuva, nas estrelas – seria um efeito colateral da capacidade de prever ações e intenções de outras criaturas. Daí para a ideia de deuses por trás dessas coisas seria um passo natural. Quer dizer, então, que a informação especificada do DNA e a homoquiralidade, para mencionar apenas dois exemplos, seriam fruto de uma intencionalidade inexistente? Coisa da nossa cabeça programada pela evolução para ver intenções? Para mim, isso soa mais como um reforço das palavras de ordem de Francis Crick: “Os biólogos devem sempre ter em mente que aquilo que vêem não foi planejado, mas que evoluiu.” [MB]

Distorções de O Código Da Vinci

Publicado em 2003, o livro apresentou muitas inverdades a respeito de Jesus Cristo e da Bíblia Sagrada

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Constantino inventou a divindade de Cristo no Concílio de Niceia. Foi esse concílio que determinou que livros deviam ser incluídos no Novo Testamento. Jesus casou com Maria Madalena e teve uma filha. Uma organização secreta foi encarregada de preservar esse “segredo do Jesus verdadeiro”. Calma, calma! Antes de achar que estou defendendo heresias, deixe-me dizer que esses absurdos são o pano de fundo de um romance policial que tem conquistado legiões de leitores em todo mundo. E não é todo dia que um livro alcança a cifra de 15 milhões de exemplares vendidos. Trata-se de O Código Da Vinci, de Dan Brown.

A história, que logo deve chegar ao cinema, com Tom Hanks como protagonista, é a seguinte: tudo começa com a morte misteriosa do curador do Museu do Louvre. Robert Langdon, professor em Harvard e especialista em símbolos esotéricos, está em Paris a negócios e a polícia lhe pede para decifrar um código deixado próximo ao cadáver. E é esse código que guia toda a trama e leva Langdon e a criptóloga Sophie Neveu em busca do Santo Graal. Os personagens penetram em um mundo secreto de mistério e conspiração, com o objetivo de desmascarar “séculos de engano”, valendo-se de códigos secretos e manuscritos que a igreja supostamente tem tentado esconder do público, mas que o historiador Leigh Teabing quer divulgar a todo custo. (É bom que se saiba que a trama central desse livro já existe há séculos e pode ser encontrada na literatura esotérica e da Nova Era, como em O Santo Graal e a Linhagem Sagrada, de Michael Baigent, que serviu de referência para o romance de Brown.)

Seria apenas mais um livro de ficção, como tantos outros, não fosse a alegação de que se fundamenta em fatos. Brown, baseado em livros apócrifos gnósticos, sustenta que, após a crucifixão de Jesus, Maria e a filha deles, Sara, partiram para a Gália (França), onde teriam fundado a linhagem dos reis merovíngios. O autor diz ainda que essa dinastia perdura até hoje na misteriosa organização conhecida como Priorado de Sião, entidade secreta que tinha os Templários como braço militar. Há até a suposição de que Leonardo da Vinci, Isaac Newton e Victor Hugo tenham figurado entre os membros dessa organização.

Segundo Erwin Lutzer, autor do livro A Fraude do Código Da Vinci (Vida), “esse livro [de Brown] é um ataque direto contra Jesus Cristo, a igreja e aqueles de nós que O seguem e O chamam Salvador e Senhor. De acordo com o romance de Dan Brown, o cristianismo foi inventado para reprimir as mulheres e afastar as pessoas do ‘sagrado feminino’”. Brown chega a afirmar que os judeus, no Antigo Testamento, adoravam tanto o Deus masculino, Jeová, como Sua “correspondente feminina”, Shekinah. Séculos depois, afirma o autor, a igreja, “que odeia o sexo e a mulher”, teria reprimido essa adoração à deusa.

Carlos Alberto di Franco lembrou, em julho de 2004, no jornal O Estado de S. Paulo, algumas críticas de respeitáveis jornais estrangeiros a respeito do livro de Brown: El Mundo chama-o de “um livro oportunista e pueril”; The New York Times, de “um insulto à inteligência”; Weekly Standard, de uma “mixórdia de narrativas inimagináveis”; The New York Daily News declara que o livro contém “erros crassos, que só não chocam um leitor muito ingênuo”. O problema é que há muitos leitores ingênuos. Milhões deles.

Jornal do Brasil, do dia 16 de dezembro de 2004, publicou um artigo de Ives Gandra Martins. A certa altura, ele declara: “No mundo da informação comprovada e dos acessos às fontes, como admitir que se consiga desvendar um segredo não revelado – de 2 mil anos! – de que Cristo teve uma filha? Ou que nas vidas altamente investigadas de Boticelli, Leonardo da Vinci, Boyle, Newton, Victor Hugo, Debussy e Cocteau seus investigadores não descobriram que eles eram grandes mestres de uma fantástica sociedade secreta denominada Priorado de Sião, cuja função era guardar o segredo da filha de Jesus? Todos os historiadores do mundo não descobriram o que o oportunista Dan Brown descobriu em investigações cujas fontes é incapaz de citar. A história é pisoteada por alguém que, sem escrúpulos, mente deslavadamente, sobre tudo.”

“EVANGELHOS” GNÓSTICOS

Um dos trechos mais polêmicos de O Código da Vinci é este: “E a companheira do Salvador é Maria Madalena. Cristo amava-a mais do que a todos os discípulos e costumava beijá-la com frequência na boca.” Essa citação provavelmente tenha se originado no Evangelho de Filipe, um dos livros apócrifos gnósticos encontrados em Nag Hammadi, no Egito, em 1945, e escondidos ali no século IV, por um egípcio anônimo. De acordo com Darrell L. Bock, autor de Quebrando o Código da Vinci, o original tem lacunas e só traz a inicial (no alfabeto copta) da palavra “boca”. “O texto está fragmentado e diz: ‘E a companheira de (…) Maria Madalena, (…) a ela mais do que a (…) os discípulos e (…) beijá-la (…) na b(…).’” Portanto, o que Brown faz é um tremendo exercício de imaginação.

Embora Brown sustente que seria estranho e até desonroso um judeu na época de Jesus ser solteiro, Amy Welborn, autora de Decodificando Da Vinci e mestre em História da Igreja pela Universidade Vanderbilt, escreve que no século I muitos homens devotados a Deus eram solteiros. Os exemplos, do profeta Jeremias ao apóstolo Paulo, são muitos. Em uma de suas cartas aos coríntios, Paulo se refere às mulheres de outros apóstolos, mas não de Jesus.

Todo o problema vem dos chamados “evangelhos” gnósticos. Eles retratam Jesus como um espírito superior, mas afirmam que Ele era um homem como qualquer outro. E se Jesus foi um homem qualquer, qual o problema de ter-Se casado e ter tido filhos?

Uma rápida comparação entre os quatro evangelhos bíblicos e os apócrifos gnósticos mostra que entre eles há um abismo intransponível. O Evangelho de Tomé – outro dos livros gnósticos – afirma, por exemplo, que “quem não conheceu a si mesmo não conhece nada, mas quem se conheceu veio a conhecer simultaneamente a profundidade de todas as coisas”. E assegura que a salvação vem por meio do autoconhecimento, ou pela sabedoria, não pela fé. Confundindo a importância do autoconhecimento – num contexto freudiano – com salvação, mais e mais pessoas têm adotado esses livros não canônicos como sua Bíblia. Mas o conhecimento salvífico do qual fala a verdadeira Palavra de Deus consiste em conhecer a Deus e a Jesus Cristo (ver João 17:3)

Há outro aspecto dos apócrifos gnósticos que salta à vista dos que conhecem a Bíblia e sua mensagem. Os “evangelhos” de Tomé, Filipe e Maria Madalena não contêm uma linha sequer sobre o significado do julgamento e da morte de Jesus na cruz. Ou seja, o evento central, no que diz respeito à história da redenção, é totalmente ausente nesses livros que reivindicam a posição de evangelhos. Eles trazem apenas charadas que convidam seus leitores a reflexões espirituais, não ao arrependimento – uma vez que, neles, o pecado não existe.

Pretender que os chamados “evangelhos” apócrifos tenham o mesmo peso e confiabilidade dos Evangelhos canônicos é desconhecer a história bíblica. Além de os apócrifos gnósticos terem sido escritos depois dos quatro evangelhos, Mateus, Marcos, Lucas e João são os únicos relatos que foram, ou escritos por testemunhas oculares da vida de Jesus, ou corroborados por elas. Lucas não conviveu com Jesus, mas fez seu relato sob a supervisão do apóstolo Paulo e contou com a aprovação de Pedro. “O Espírito Santo primeiro guiou Mateus, depois Paulo e seu companheiro Lucas, a seguir Pedro e seu companheiro Marcos e, por último, João, o apóstolo, para entregar à igreja, durante sua vida, o Evangelho que lhes foi entregue por Jesus”, escreve David Alan Black, no instrutivo Por Que 4 Evangelhos (Vida), na página 10. Além disso, “as fontes mais aceitas sobre a trajetória de Jesus – os evangelhos sinópticos, de Mateus, Lucas* e Marcos – são consistentes com o que se sabe sobre a Palestina do século I, de forma que a chance de serem fruto da imaginação de seus autores é desprezível”, escreveu Isabela Boscov, na revista Veja do dia 15 de dezembro de 2004. E é bom deixar claro que a igreja primitiva já aceitava a inspiração divina dos quatro evangelhos muito tempo antes de Constantino convocar o Concílio de Niceia. Graças ao historiador Eusébio, sabe-se que 20 decretos foram promulgados em Niceia. Nem um único diz respeito ao cânon.

“Os evangelhos apócrifos, assim como os canônicos, foram, escritos por pessoas inquietas, numa época conturbada e difícil, em que as antigas respostas já não davam conta de acalmar os espíritos”, sustenta Érica Montenegro, no artigo “Um outro Jesus”, publicado na revista Superinteressante de dezembro de 2004. “É claro que os tempos, hoje, são muito diferentes. Mas, de novo, boa parte da humanidade está inquieta e insatisfeita com as respostas que existem. Tem muita gente em busca de alguma coisa que torne nossa existência mais transcendente, mais valiosa. E esses textos escritos por outros homens, numa busca parecida, podem nos dar uma dica de onde começar a procurar.”

Sem o saber, Érica chegou perto da descrição que o apóstolo Paulo faz de nossos dias: “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2 Tm 4:3, 4).

(*) Sir William Ramsey, célebre historiador e arqueólogo do século 19, esforçou-se por demonstrar que a história de Lucas estava cheia de erros. Após toda uma vida de trabalho e estudos, porém, ele escreveu: “A história de Lucas é insuperável quanto a sua fidedignidade.” – The Bearing of Recent Discoveries on the Trustworthiness of the New Testament (Grand Rapids: Baker), p. 81.

Michelson Borges