Éden: fato ou ficção?

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Seria o Gênesis um relato histórico das origens? Muitos entendem que não, que ali teríamos apenas uma alegoria similar a outras narrativas mitológicas do antigo Oriente Médio. Chegam a sugerir que “devemos cortar esses capítulos fora de qualquer evento especificamente histórico”. Autores clássicos como Teilhard de Chardin chegaram a supor que Adão seria o primeiro exemplar do homo sapiens ou de uma raça espiritual que se seguiu à cadeia evolutiva. O grande problema com esse tipo de abordagem é que seus proponentes se esquecem que a doutrina de Cristo está edificada sobre o conteúdo do Antigo Testamento, que, por sua vez, se apoia inteiramente sobre o relato do Gênesis. Ora, se a história do Éden não aconteceu de fato, então não houve a “queda de Adão” e a humanidade não se encontra contaminada por nenhum tipo de “pecado original”. Logo, não existe nenhuma transgressão da qual necessitássemos ser redimidos e a morte expiatória de Cristo não passa, na melhor das hipóteses, de um martírio sem significado.

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Gênesis e o boneco de barro

“É assim que Deus disse?”

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É muito comum ouvirmos em várias e distintas ocasiões, bem como lermos em diversas publicações de cunhos distintos, versões deterioradas do relato singelo, mas pleno de profundo significado, sobre a origem do ser humano que se encontra em Gênesis 2:7: “Então, formou o Senhor Deus ao homem, do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.” De fato, nesse relato bíblico inserem-se preciosas informações inspiradas que muitas vezes passam despercebidas até mesmo de sinceros pesquisadores da verdade, dentre as quais algumas que serão consideradas neste breve texto. Entretanto, também deteriorações grotescas desse relato têm ocorrido e sido apresentadas, como, por exemplo, a que substitui o texto de Gênesis 2:7 pela expressão vulgar de que “Deus formou um ‘boneco de barro’ e soprou nele o fôlego da vida”.

Teria sido isso o que Deus realmente disse, ou essa expressão vulgar na realidade reflete mais uma investida velada e insidiosa contra a autoridade e a veracidade da revelação de Deus ao ser humano, da mesma forma como a que foi feita a respeito das condições estabelecidas para a continuidade da manutenção do fôlego de vida no ser humano recém-criado, com a afirmação de que “é certo que não morrereis!” (Gênesis 3:4)?

De fato, aquela expressão vulgar sobre o “boneco de barro”, que ouvimos e lemos, tem sido usada com bastante frequência tanto no meio secular – seja no âmbito educacional nos seus vários níveis (desde o pré-escolar até a pós-graduação), seja no âmbito eclesiástico cristão (em publicações escritas e na pregação do próprio púlpito, irradiada e televisionada), e seja ainda nos meios de comunicação em geral, incluindo hoje as indefectíveis redes sociais.

Comparando-se as duas expressões acima mencionadas, verifica-se inicialmente que ficou explícita na segunda expressão a substituição de “pó” por “barro” e a eliminação da informação de que “o homem passou a ser alma vivente”.

Com relação à substituição ocorrida, pode-se deduzir que ela foi necessária para que fosse forjada uma cena antropomórfica da criação do homem, em que se partisse de algo que pudesse ser comparado a uma “imagem” do ser humano tal qual o conhecemos hoje (na forma de um “boneco de barro”), para que então ele recebesse o “sopro de vida”. Deve-se lembrar, ainda, que o texto bíblico já tinha esclarecido que o homem foi formado “à imagem de Deus” (Gênesis 1:2). Assim, essa é mais uma razão para ser rejeitada a degradação do relato bíblico ocorrida com a introdução dessa “imagem do boneco de barro”.

Fica claro que a expressão “imagem” utilizada em Gênesis pouco tem a ver com o aspecto físico que teria sido atribuído ao “boneco” e sim com as características mentais e espirituais desse novo ser criado por Deus, que o próprio texto bíblico esclarece ter sido criado “um pouco menor do que os anjos” (Salmo 8:5) – outros seres também criados por Deus, conforme Seu desígnio e propósito, sem necessidade de algum suposto “boneco” protótipo feito a partir de qualquer outro material.

O seguinte texto reflete bem o que se deveria considerar como principal característica da “imagem de Deus” refletida no ser humano: “Sua natureza estava em harmonia com a vontade de Deus. A mente era capaz de compreender as coisas divinas. As afeições eram puras; os apetites e paixões estavam sob o domínio da razão. Ele era santo e feliz, tendo a imagem de Deus e estando em perfeita obediência à Sua vontade” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 44, 45).

Por outro lado, no relato bíblico da criação da mulher, é dito que “a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e a trouxe para ele” (Gênesis 2:22).

Como se vê, o relato bíblico não fala de uma “boneca” de qualquer material, mas permite inferir que deve ter ocorrido uma série de operações cirúrgicas efetuadas juntamente com transformações altamente complexas do tipo que hoje caracterizam os processos de “clonagem”, em conformidade com o planejamento estabelecido pelo Criador a partir de substâncias pré-existentes, para entregar a Adão uma “coadjutora”, com desígnio e propósito.

Assim, tanto no caso da criação do homem quanto no da mulher, ambos foram criados a partir de elementos e substâncias previamente existentes, que, por sua vez, haviam sido criados por Deus a partir do nada, mediante Sua Palavra – “Deus falou e tudo se fez” (Salmo 33:9) – já com desígnio e propósito para possibilitar a consecução das etapas seguintes de todo o processo criativo, incluindo o estabelecimento das condições ambientais e ecológicas necessárias para a criação e manutenção da intrincada interdependência entre a vida vegetal, animal e humana nesse novo mundo que estava sendo modelado.

Essa “matéria primordial” (elementos e substâncias químicas), criada a partir do nada, muito apropriadamente foi chamada no texto bíblico de “pó da terra” (Gênesis 2:7), em conformidade também com o que é descrito em Provérbios 8:28 nas considerações feitas a respeito do princípio de todas as coisas: “Ainda Ele não tinha feito a Terra, nem as amplidões, nem sequer o princípio do pó do mundo.” Essa expressão “princípio do pó do mundo” poderia hoje ser entendida como se referindo às estruturas atômicas e nucleares extremamente complexas constituintes da matéria original dos mundos galácticos, estelares e planetários, bem como das estruturas moleculares extremamente complexas constituintes dos seres vivos em geral, e do ser humano em particular.

Dessa forma, ao “Deus formar ao homem do pó da terra”, jamais estaria Ele fazendo um “boneco de barro” (o que seria inaceitável até mesmo como uma figura de linguagem) que se transformasse magicamente em um ser humano de forma independente de um planejamento coerente com desígnio e propósito previamente estabelecidos, visando à própria manutenção da complexa interdependência entre todos os tipos de vida que estavam sendo criados nesse novo planeta.

Assim, a atuação de Deus na formação do homem, mediante Seu poder e Sua sabedoria (como Deus onipotente e onisciente) teria sido procedida de acordo com um planejamento de sucessivas sínteses orgânicas em cadeia, da mesma forma como procedido na criação anterior de todos os demais seres vivos, de tal maneira que fossem processadas as reações químicas necessárias, em conformidade com leis anteriormente estabelecidas pelo próprio Criador, para tornar possível a formação de complexas moléculas que se organizassem na forma de substâncias orgânicas necessárias à formação de tecidos, órgãos e sistemas; dessa forma completando a elaboração de toda a estrutura corporal previamente idealizada.

Além do mais, para a finalização desse projeto da criação do ser humano, deveria ter sido incluída toda a informação necessária para a ativação final de toda essa estrutura elaborada como um sistema de alta complexidade, para que então recebesse o “sopro de vida” energizante, e se tornasse uma “alma vivente” formada à imagem de Deus!

Neste ponto, cabe rememorar o episódio relatado em Êxodo 3:5, em que a presença de Deus se manifesta a Moisés pronunciando as palavras: “Não te chegues para cá; tira a sandália dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa” (Êxodo 3:5). A terra ali era tornada santa pela presença do Deus santo que então Se manifestava a Moisés, da mesma forma em que aquele “pó da terra” (Gênesis 2:7) na presença do mesmo Deus santo constituiu a matéria-prima, santificada pela presença de Deus, a partir da qual foi criado o homem, “à imagem e semelhança de Deus” pelo Seu energizante sopro do fôlego de vida.

Com essas poucas considerações apresentadas neste texto, que destacaram algumas preciosas informações que muitas vezes têm passado desapercebidas até mesmo a sinceros pesquisadores da verdade, espera-se que pessoas, embora bem intencionadas, mas carentes de uma visão mais consentânea da majestosa concepção da criação do ser humano expressa nas palavras do relato de Gênesis, possam passar a compreender essa investida velada e insidiosa contra a autoridade e a veracidade da revelação de Deus ao homem, que apresenta um “boneco de barro” como grotesca deturpação do relato bíblico sobre a criação do ser humano.

(Dr. Ruy Carlos de Camargo Vieira é engenheiro e fundador da Sociedade Criacionista Brasileira)

Primeiro episódio de “Gênesis” expõe “teoria do intervalo”

Que tal aproveitar o momento para abrir e estudar sua Bíblia a fim de conhecer a história verdadeira e original?

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Se levar as pessoas a conferir na própria Bíblia aquilo que está sendo exibido na tela, a novela “Gênesis”, da TV Record, terá produzido um efeito colateral positivo. Mas, como a maioria das pessoas não fará isso, infelizmente, em muitas mentes ficará a impressão de que Adão era um troglodita machista agressor e de que os dinossauros teriam sido extintos pela queda de Lúcifer e seus anjos rebeldes, ideia conhecida como “teoria do intervalo”, “teoria do caos e restauração” ou mesmo “teoria do Éden luciferiano”. Obviamente, uma interpretação muito equivocada do relato de Gênesis.

Segundo Moisés (autor inspirado dos cinco primeiros livros da Bíblia), antes de ser preparada para abrigar vida (terraformada), a Terra era sem forma e vazia. Quando Deus pronunciou as palavras “haja luz”, teve início a semana da criação, com seis dias literais e ininterruptos de 24 horas cada (veja o vídeo abaixo). No sexto dia foram criados os animais terrestres e o primeiro casal humano. Portanto, os dinossauros foram criados nesse dia e não muito tempo antes, numa tentativa de acomodar o relato bíblico com a visão evolucionista.

Os criacionistas bíblicos, em sua maioria (e essa é também a posição da Sociedade Criacionista Brasileira), acreditam que os dinossauros (ou pelo menos a imensa maioria deles) foram extintos por ocasião do dilúvio, daí a abundância de fósseis deles e de muitas outras espécies de animais e plantas – já que se sabe que o processo de fossilização depende de soterramento rápido sob água e lama (veja o vídeo abaixo).

Resumindo: a leitura do primeiro capítulo de Gênesis deixa claro que a Terra era sem forma e vazia antes de acolher vida, e não que se tornou sem forma e vazia no tempo dos dinossauros. A “teoria do intervalo” é, na verdade, uma aberração teológica semelhante à ideia da evolução teísta, pois coloca a existência da morte antes do pecado de Adão e Eva. Se a morte já existia, o salário do pecado não é ela, como explica o apóstolo Paulo em Romanos 6:3. Se a morte não é consequência do pecado de nossos primeiros pais, que dívida Jesus veio pagar na cruz? Deus passa a ser o culpado direto pela existência da morte e do violento processo evolutivo, e Jesus é despido de Sua missão messiânica, sendo encarado como mero revolucionário. Isso tudo atenta conta o caráter do Criador.

adao

Conforme escreveu Maurício Stycer no portal UOL, “o impacto visual de efeitos especiais não diminuiu em nada a sensação de que estava assistindo a uma aula sobre criacionismo. […] Driblando a teoria da evolução, a novela ‘ensina’ que foi Lúcifer quem causou a extinção dos dinossauros. […] No segundo capítulo, a punição a Adão e Eva se estendeu à família, que enfrenta uma vida de privações. Sob o olhar atento de Lúcifer, que aprecia o drama, todas as filhas de Adão abandonam o lar em protesto à rispidez e ao machismo do pai. Inflexível, Deus recusa uma oferta de Caim porque ele não ofereceu o melhor que tinha para dar”.

Eis aí os problemas: (1) a falsa impressão de que o que a novela apresenta seria a visão criacionista; (2) o preenchimento com excesso de imaginação das lacunas no relato bíblico e o abuso da licença poética; (3) a descaracterização dos personagens bíblicos ou mesmo a ideologização anacrônica deles; e (4) a imprecisão teológica, afinal, Caim não ofereceu “o melhor que tinha para dar”, ele recusou oferecer o símbolo da única coisa que poderia salvá-los: o cordeiro que apontava para o Cordeiro (João 1:29).

A novela contou com a ajuda de consultores como o arqueólogo Dr. Rodrigo Silva, mas isso não significa que eles tenham tido acesso ao roteiro dos episódios ou que pudessem interferir no texto. O consultor apenas presta informações técnicas sobre alguns aspectos que deverão constar na obra. E os roteiristas/produtores/diretores decidem o que vão considerar ou não.

Semana que vem a novela vai tratar do dilúvio. Vejamos o que vem por aí… Enquanto isso, que tal abrir e estudar sua Bíblia a fim de conhecer a história verdadeira e original?

Michelson Borges

Gênesis 1 e 2: Versões contraditórias?

adao

portal G1 publicou em 2008 matéria afirmando que “os dois primeiros capítulos do livro sagrado de cristãos e judeus retratam não uma criação do mundo, mas duas. O ser humano surge de duas maneiras diferentes, uma logo depois da outra, e até o deus [sic] responsável pela criação não tem o mesmo nome nos dois relatos”. Será que há mesmo contradição nos relatos? De forma sucinta (pois uma análise dessa natureza exigiria muitas páginas), o pastor e professor Douglas Reis responde:

“Alguns setores da mídia tupiniquim fazem realmente de tudo para chamar a atenção, mormente, questionando a moral cristã, ou, o que é pior, levantando dúvidas a respeito da fonte da moral, a Bíblia Sagrada. É o caso da reportagem ‘Bíblia abriga duas versões contraditórias da criação do mundo’, que ressuscita a controversa hipótese documental.

“Para os proponentes dessa linha de pensamento, o Pentateuco não teria a autoria mosaica; ao contrário, seria uma coleção de documentos com épocas e linhas de pensamento divergentes, editados por alguém (supõe-se, geralmente, que Esdras seja o editor final) e atribuídos ao filho da filha de Faraó.

“Essa abordagem parte do pressuposto de algumas narrativas duplas encontradas em todo o Pentateuco (por ex.: Gn 1 e 2; Gn 16:4-16 e 21:8-20; Êx 20:3-17 e Dt 5:1-20, etc.). Para explicar tais duplicatas afirma-se haver diversas tradições, provenientes de grupos dentro de Israel (ou mesmo fora de Israel) que o editor não soube conciliar, optando por oferecer duas versões do mesmo episódio.

“Nem é preciso dizer que tal linha de pensamento, originária do século 19 (como reconheceu Suzana Chwarts, em uma declaração citada na reportagem), não seja novidade no ciclo acadêmico e evangélico, o que faz com que a notícia perca a sua razão de ser – afinal, para que explorar uma teoria tão debatida e já refutada, dando-lhe um fantasioso verniz de ‘uma verdade vinda à tona’?

“Numa reportagem se diz muita coisa não só pelo que se afirma, como também pelo que se omite. E é notória a omissão de Reinaldo José Lopes, autor da matéria, da opinião de estudiosos das áreas bíblicas que sejam da linha tradicional de pensamento. Por que apenas teólogos liberais são citados? Nem se chega a questionar o que eles dizem, que é elevado ao status de palavra final! Por que o jornalista omitiu as críticas a essa visão do texto bíblico? São perguntas que pairam pela mente de um leitor que conheça as questões tratadas na matéria…

“Christine Hayes, cuja opinião aparece no texto, afirma ser curioso ‘que elementos que lembram tanto a primeira quanto a segunda história da criação’ estejam presentes em outros textos da literatura antiga do Oriente Médio. ‘A imagem de deuses fazendo uma série de pequenos humanos com argila, como se fossem oleiros, também é muito comum’, prossegue ela. Obviamente, isso apenas contribui para pensarmos no valor daquilo que é narrado, uma vez que tantos povos e tão distantes entre si narrem uma criação de forma semelhante. Uma lenda se apoia em fatos históricos, acrescentando a eles um caráter místico e ampliado. Mas a existência da lenda não exclui a historicidade do evento que a originou. A narração de Os Lusíadas, por exemplo, não conspira contra a empreitada náutica do Vasco da Gama histórico, embora Camões tenha ‘enfeitado’ a narrativa com episódios inspirados na mitologia, seguindo as convenções literárias estabelecidas pelo modelo de épica herdado dos gregos.

“Semelhantemente, a criação do mundo pode ter ocorrido exatamente como descreve o Gênesis, sendo que, à medida que os povos foram se espalhando pela Terra, após o episódio da Torre de Babel (Gn 11:1-8), a história da Criação acabou se convertendo em lendas que, embora conservassem alguns fatos, incorporaram elementos mitológicos (os vários deuses, a deificação de elementos naturais, como o caos, os céus, as águas, etc., e a atribuição de personalidade egoísta a esses deuses em conflito que criaram o homem). Pela sua simplicidade narrativa, ordem sequencial e visão de propósito, a narrativa bíblica diverge de outros textos de mesma tradição literária, sendo ímpar.

“Além disso, para os cristão, é substancial que o próprio Jesus declare crer numa criação em seis dias (por exemplo, Mt 19:4, 5). Se acreditamos nEle, temos de reconhecer Sua palavra como autoridade final em toda questão.

“O teólogo Ribeiro, da PUC, afirma: ‘Eu sinceramente nem sei se os povos semitas antigos tinham essa noção da criação do Universo inteiro a partir do princípio. Para eles, a criação significava provavelmente a criação de sua própria cultura, de sua própria civilização. O que ficava fora dos muros da cidade ou dos campos cultivados perto dela era considerado o caos.’ É claro que essa afirmação é facilmente desbancada pelo texto hebraico (Gn 1 e demais capítulos em sequência). Além disso, a criação apresentada em Gênesis é um desdobramento do capítulo 1 e não uma narrativa rival. A ênfase recai na criação do ser humano e na unidade familiar; por isso, o nome utilizado para Deus é Iahweh, evocando um Deus pessoal, interessado em se relacionar com o homem que cria (enquanto Elohim designa o Criador, de forma mais geral). Não há oposição, mas ênfase.

“Se mudança de estilo literário implica em mudança de autor, então o que dizer do caso de Fernando Pessoa ou de Umberto Eco, ambos autores contemporâneo que recorrem a mudanças de estilo seguindo propósitos definidos? É muita má vontade acreditar numa contradição bíblica dessa natureza – afinal, se o caso fosse esse, um editor ou conciliaria as narrativas ou apresentaria aquela que lhe parecesse a mais confiável… No demais, os estudiosos partidários da teoria documental não chegam a um consenso sobre que partes do Pentateuco foram escritas por quem, dando um caráter arbitrário às suas listas de autores e trechos que teriam escrito (cada autor tem virtualmente a sua).

“Em suma, não há razões plausíveis para descrer do texto ou imaginar contradições; apenas, por questão de opinião, alguns preferem, contrariando as evidências, seguir essa linha.”